Atlético x Cruzeiro com Mineirão meio a meio: lembranças, públicos e resultados

Atlético x Cruzeiro com Mineirão meio a meio: lembranças, públicos e resultados

Atlético e Cruzeiro protagonizam os confrontos estado há muitas décadas tendo como palco principal o Gigante da Pampulha – inaugurado em 1965. Até 2010, todos os clássicos no estádio eram disputados com a torcida dividida, independentemente do mandante. Essa tradição foi interrompida, há 16 anos, quando, em 20 de fevereiro de 2010, os times se enfrentaram pela última vez no “antigo” Mineirão – o Cruzeiro venceu por 3 a 1 pela fase inicial do Estadual.

Devido à Copa do Mundo de 2014, o grande palco do futebol mineiro passou por reforma a partir daquele ano, e o clássico passou a ser disputado em outros estádios, como Arena do Jacaré, Ipatingão, Parque do Sabiá e, principalmente, Independência. O Horto se tornou a principal sede dos confrontos durante a reforma e seguiu recebendo partidas na década de 2010 porque o Atlético não voltou definitivamente ao Mineirão.

O Galo até retornou ao principal estádio de Belo Horizonte anos depois, mas com a inauguração da Arena MRV em 2023 deixou de vez o Mineirão. Por isso e também por medidas de segurança impostas pelo Estado e acordos entre diretorias – que mantiveram a carga de ingresso em 90% de mandante e só 10% para os visitantes -, os clássicos com torcida dividida perderam força nos últimos anos.

Assim, o jogo deste domingo (8/3) marcará uma importante oportunidade para a atual geração de torcedores.

Lembranças de personagens de Atlético x Cruzeiro com torcida dividida

Atualmente é raridade, mas, em um passado próximo, era a rotina. Até por isso, se tornou algo nostálgico para os envolvidos. O No Ataque procurou alguns personagens de Atlético x Cruzeiro com torcida dividida para que resgatassem lembranças desses momentos, e o sentimento de “saudades” foi unânime.

Torcida do Atlético no Mineirão - (foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA.Press)
Torcida do Atlético no Mineirão(foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA.Press)

Durante uma década, entre 1986 e 1996, Paulo Roberto Prestes foi titular da lateral esquerda do Atlético e atuou mais de 30 vezes diante do Cruzeiro em meio aos 504 jogos pelo Galo.

Pentacampeão do Estadual (1986, 1988, 1989, 1991 e 1995), o ídolo alvinegro relembrou com muita alegria a possibilidade de atuar em clássicos com a torcida dividida e destacou a energia a mais que a presença de apoiadores e rivais confere à partida.

“Vivi muito esse momento com Mineirão lotado, e o mais legal agora é a torcida dividida, que para mim é sensacional. A vibração que o jogador sente é surreal. Uma torcida de um lado cantando, a outra do outro, quem canta mais alto… É arrepiante quando você está dentro do campo e vê a sua torcida gritando alto, gritando às vezes até o seu nome, como acontecia muito na época. É sensacional. É uma força, uma energia que dá”

Paulo Roberto Prestes, ídolo do Atlético

Um outro ícone da ala esquerda também demonstrou satisfação com a oportunidade de atleticanos e cruzeirenses estarem no Mineirão para o clássico. Nonato marcou época no Cruzeiro entre 1990 e 1997, foi campeão do Estadual em 1992, 1994, 1996 e 1997 e protagonizou muitos duelos com o Atlético nos 394 jogos que fez pela Raposa.

Ao recordar os clássicos, o ídolo celeste citou quão boa era a chance de até mesmo encontrar torcedores dos dois times no entorno do Mineirão.

“É uma vitória para o torcedor mineiro, tanto o cruzeirense como o atleticano. Vivi muito essa atmosfera: Mineirão, Cruzeiro x Atlético, e encontrava os torcedores de ambas as equipes no meio da rua. Era muito bacana. Na hora do jogo, via do lado a torcida toda do Cruzeiro, do outro lado a torcida do Atlético, e só aquele cordão de policiais separando. É um ganho para o jogador. Imagina: estar jogando lá com a sua torcida gritando do lado, apoiando, e a outra também apoiando o outro time”

Nonato, ídolo do Cruzeiro

A experiência de um clássico com torcida meio a meio impressiona até mesmo quem não entrava em campo. Subeditora do No Ataque e colunista do Jornal Estado de Minas, Kelen Cristina é jornalista esportiva desde 1998 e fez questão de falar sobre o que viveu nos duelos entre Atlético e Cruzeiro com torcida dividida.

“O Mineirão com as duas torcidas é um resgate nostálgico de um futebol vivido em sua essência. Esse cenário fez parte da minha história como torcedora e como jornalista. Desde a minha infância, clássico dividido pelas cores dos dois times era natural, não a exceção à regra como hoje. Tornava a atmosfera diferente, com acordos preestabelecidos que determinavam o limite entre a rivalidade e a convivência em sociedade”, destacou.

“Começava no caminho para o estádio: cruzeirenses seguiam pela Catalão e atleticanos, pela Antônio Carlos. Claro que vez ou outra, havia um ‘intruso’ na rota – que se sujeitava a brincadeiras e provocações, mas não se tornava inimigo mortal. A verdade é que a coexistência entre torcedores dos dois times conferia um certo aspecto de civilidade que os jogos de torcida única nos tiraram, sob o pretexto do antídoto contra a violência. Em vez de trabalharem para incrementar as medidas de segurança, arrancaram o torcedor da cena, preferindo privar várias gerações da sensação mais genuína de um jogo de futebol”

Kelen Cristina, colunista do Jornal Estado de Minas

Públicos do Mineirão para Atlético x Cruzeiro

No entanto, as memórias desses personagens são de épocas em que o Mineirão recebia públicos maiores. Por causa da atual capacidade – 62 mil torcedores – e de restrições de segurança, o Gigante da Pampulha poderá receber, no máximo, 54.562 pessoas na final do Mineiro de domingo (8/3), com 27.281 torcedores de cada lado.

Torcida do Cruzeiro no Mineirão - (foto:  Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)
Torcida do Cruzeiro no Mineirão (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)

Esse número passa bem longe do público que o estádio teve em outros momentos. Em 4 de maio de 1969, também pelo Estadual, o Cruzeiro venceu o Atlético por 1 a 0 com exatamente 123.351 presentes. É o recorde do Mineirão em clássicos.

Por outro lado, o duelo entre Galo e Raposa não teve tantos apoiadores em algumas ocasiões, principalmente quando os jogos não eram tão importantes. O pior público do Mineirão para essa partida tão importante – sem contar o duelo de 2021 sem torcedores devido à pandemia do coronavírus – foi registrado em 14 de junho de 1994.

Naquela oportunidade, apenas 2.662 torcedores presenciaram a vitória celeste por 1 a 0 pela Copa Dener. Esse torneio foi realizado durante a pausa para a Copa do Mundo, que seria vencida pela Seleção Brasileira, para homenagear o ex-jogador da Portuguesa que havia morrido meses antes em um acidente de carro.

Finais únicas e clássicos com torcida dividida desde a reforma

Será a quarta vez vez na história que o Campeonato Mineiro será decidido em jogo único no Mineirão. A primeira edição com esse formato foi em 1972, quando o Cruzeiro bateu o Atlético por 2 a 1. Vitória da Raposa também na final de 1990, por 1 a 0.

Por outro lado, o Atlético se tornou campeão em uma final única justamente na última ocasião. Em 2 de abril 2022, Hulk (duas vezes) e Nacho Fernández fizeram os gols da vitória por 3 a 1 – Edu descontou. O público nesse clássico foi de 53.572 torcedores.

Última final dividida do Campeonato Mineiro foi em 2022, com vitória do Atlético sobre o Cruzeiro - (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Última final dividida do Campeonato Mineiro foi em 2022, com vitória do Atlético sobre o Cruzeiro (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Houve mais duas ocasiões em que atleticanos e cruzeirenses dividiram as arquibancadas no “novo” Gigante da Pampulha, mas não em jogos decisivos. Em 3 de fevereiro de 2013, justamente na reabertura do Mineirão, 55.627 torcedores acompanharam a o triunfo do Cruzeiro por 2 a 1, pelo Mineiro – gols de Marcos Rocha (contra) e Dagoberto para a Raposa e Araújo para o Galo.

Quatro anos depois, em 1º de fevereiro de 2017, o estádio em Belo Horizonte foi palco do triunfo celeste por 1 a 0 no clássico com gol de Giorgian de Arrascaeta. Com 41.530 presentes, a partida valeu pela primeira rodada da Primeira Liga, torneio regional que teve apenas duas edições: 2016 e 2017.

A notícia Atlético x Cruzeiro com Mineirão meio a meio: lembranças, públicos e resultados foi publicada primeiro no No Ataque por Pedro Bueno

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