Captura do caos: fotógrafos revelam bastidores da briga em Cruzeiro x Atlético

Captura do caos: fotógrafos revelam bastidores da briga em Cruzeiro x Atlético

Captura do caos: fotógrafos revelam bastidores da briga em Cruzeiro x Atlético
Captura do caos: fotógrafos revelam bastidores da briga em Cruzeiro x Atlético (Podcast de No Ataque conversou com os repórteres fotográficos Edésio Ferreira e Alexandre Guzanshe sobre a confusão no clássico)

O clássico entre Cruzeiro e Atlético, pela final do Campeonato Mineiro, foi o palco de uma confusão generalizada – com 23 expulsões -, que ganhou repercussão mundial, e os repórteres fotográficos Edésio Ferreira e Alexandre Guzanshe, do Jornal Estado de Minas, estavam lá para registrar cada detalhe. Em entrevista ao podcast do No Ataque, eles compartilharam as perspectivas e os desafios de capturar o caos em tempo real.

Com quase três décadas de profissão, Alexandre Guzanshe foi o responsável por uma das imagens mais emblemáticas da briga. Ele estava posicionado no campo de defesa do Atlético e registrou o momento exato em que o goleiro Everson posiciona os joelhos sobre o rosto do meio-campista Christian, do Cruzeiro.

Ambos os profissionais destacaram a importância do “momento decisivo”, conceito cunhado pelo renomado fotógrafo francês Cartier-Bresson. Guzanshe explicou que, em meio a tantos disparos de câmera – que podem chegar a 20 fotos por segundo em equipamentos modernos – é preciso ter atenção e um “feeling” apurado para fotografar aquele que traduz toda a informação.

“Consegui congelar exatamente a hora em que o Everson encosta os joelhos no rosto do Christian. É um instante decisivo, que é aquele que você consegue congelar o que está acontecendo, que vai traduzir aquilo tudo. O gostoso da fotografia é isso, a expressão do momento. Ali foi congelado o momento certinho, né? Nem mais para frente, nem mais para trás”, ressaltou Guzanshe.

Já Edésio Ferreira, também de longa trajetória no jornalismo fotográfico e colega de Guzanshe há 16 anos, estava do outro lado do campo. Apesar da distância, sua lente 400mm permitiu registrar a dimensão do conflito que se espalhava pelo gramado, incluindo as ações do atacante Hulk.

Com uma visão ampla de toda a situação, o repórter fotográfico ressalta que viu apenas dois jogadores de Cruzeiro e Atlético não se envolverem na briga: “De onde eu estava, deu para perceber que o Gustavo Scarpa e o Mateus Pereira foram os dois que eu consegui observar que não entraram na confusão, ficaram mais no ‘deixa disso’”.

Riscos da profissão

A entrevista também revelou os riscos e a pressão da profissão. Edésio Ferreira relatou a preocupação com a segurança e os equipamentos caros em meio à confusão, especialmente quando alguns torcedores do Atlético ameaçaram invadir o campo.

“Estava de costas para a torcida quando começou a confusão, e eles inflaram. Chegaram a ponto de pular para dentro do campo. Aí chegou o Choque [Polícia Militar] e fez aquela barreira. Ouvi relato de que foi arrancada até uma das cadeiras e jogada no campo, acertou uma das colegas que estava cobrindo o jogo, uma repórter fotográfica. Já fiquei mais preocupado pelo seguinte: tinha o notebook, estava mandando as fotos para a redação; tinha a câmera, tudo muito próximo; mas é aquele medo, né? Que de repente acontece aquele estouro da boiada e todo mundo vai passar por cima, não quer saber o que que vai acontecer”

Edésio Ferreira, repórter fotográfico do Estado de Minas

Edésio Ferreira fotografou o desdobramento da confusão entre jogadores de Cruzeiro e Atlético no clássico (Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press)

Guzanshe, por sua vez, relembrou agressão sofrida por ele em dezembro de 2019, na derrota do Cruzeiro para o Palmeiras (2 a 0), no Mineirão, pela última rodada do Campeonato Brasileiro. O revés culminou no rebaixamento do time celeste para a Série B e numa confusão entre torcedores.

“No final do jogo teve bomba, torcida invadindo o campo e eu fui agredido por uma torcedora. Ela estava saindo com a mãe abraçada, uma idosa. Não sei o porquê, tem até foto disso. Comecei a registrar a mãe dela chorando, ela chorando, e ela veio para cima de mim, começou a me dar soco e tal, eu fui caindo, trombando. A primeira coisa que fiz, a primeira reação foi proteger o equipamento, sabe? A gente sempre protege o nosso equipamento porque é uma extensão do corpo. Ela veio me agredindo e tal. Falaram comigo para registrar boletim de ocorrência, fiquei com dor na cabeça, mas fiquei mais preocupado em mandar a foto para a redação, o material que havia produzido”

Alexandre Guzanshe, repórter fotográfico do Estado de Minas

Alexandre Guzanshe fotografou o momento em que Everson agrediu Christian (Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press)

Apesar do caos, a experiência dos fotógrafos do Estado de Minas, que cobrem desde cultura e política até economia e gerais, é um diferencial. “Isso dá um embasamento para a gente quando acontecem esses fatos. Ganhamos mais experiência, ficamos mais maduros, a gente vai saber [em qualquer cobertura jornalística], ó, aqui pode acontecer alguma coisa, ali pode acontecer outra coisa, então traz experiência”, explicou Guzanshe.

A agilidade na entrega do material também foi um ponto abordado. Longe dos tempos em que filmes eram enviados por motoboy, hoje a demanda é por fotos editadas e publicadas em minutos nas redes sociais e sites. “Hoje é ali na hora, você faz a foto, um minuto depois você já tem de mandar o material para publicar nas redes sociais, no site, enfim”, pontuou.

Para saber mais sobre os bastidores da fotografia jornalística, os desafios de cobrir grandes eventos esportivos e as histórias por trás das imagens que chocaram o mundo, acompanhe a entrevista completa com Edésio Ferreira e Alexandre Guzanshe no podcast de No Ataque no YouTube.

A notícia Captura do caos: fotógrafos revelam bastidores da briga em Cruzeiro x Atlético foi publicada primeiro no No Ataque por Ailton Bruno do Vale

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