Efeito Artur Jorge: jogadores do Cruzeiro expressam satisfação e relatam mudanças
Para a estreia no Cruzeiro, Artur Jorge manteve a base de atletas já conhecida pela torcida. Em relação à última escalação, alterou apenas duas peças: Kauã Moraes na vaga de Kaiki (lateral esquerda), indisponível porque estava com a Seleção Brasileira e não chegou a tempo; e Kaio Jorge, recuperado de lesão, na função de Néiser Villarreal (centroavante).
Em campo, disposição diferente da habitual. Quando tinha a bola, o Cruzeiro atuava em 4-2-4, formação tática percebida nos lances de gol, e esbanjava intensidade. A última linha era móvel, especialmente por causa de Matheus Pereira, que dava um passo para trás para receber em espaço vazio – dessa forma, inclusive, o camisa 10 criou a jogada de dois tentos.
Fizeram companhia para o meio-campista naquela linha os atacantes Keny Arroyo e Kaio Jorge e o volante Christian – os dois últimos marcaram. Por vezes, os laterais abandonavam o campo defensivo e se juntavam à última linha, que passava a ser composta por cinco ou seis atletas. Em certo momento, por exemplo, Kauã Moraes recebeu lançamento do goleiro Matheus Cunha na condição de jogador mais adiantado da Raposa, driblou a marcação, cortou para o meio e balançou a rede.
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Jogadores do Cruzeiro relatam novas experiências
Ao fim da partida, Christian, Kaio Jorge, Kauã Moraes e William relataram as orientações recebidas por Artur Jorge. O comandante treina os celestes desde 25 de março, ou seja, liderou sete sessões de treinamentos antes do embate com o Vitória.
Christian em área de conforto
No ano passado, sob a liderança de Leonardo Jardim, Christian atuou como ponta direita. No início da atual temporada, com Tite à frente dos celestes, o atleta flutuou em diferentes posições. Na primeira partida com Artur Jorge, ele jogou na faixa do gramado que lhe traz certo conforto: a ponta esquerda.
As orientações do comandante surtiram efeito. Aos 32 minutos do primeiro tempo, Christian deu um passe para trás, recebeu de Matheus Pereira, levou para o pé direito e bateu colocado, no canto do goleiro Lucas Arcanjo.
“Ele viu alguns jogos meus, sabe que jogo muito pelo lado esquerdo, só que ano passado joguei muito pelo direito. Ele falou que me queria com o pé trocado para vir para dentro para conseguir criar jogadas e ter mais combinações. Consegui fazer um belíssimo gol”
Christian, volante do Cruzeiro
O comportamento agressivo do Cruzeiro – com a bola – também tem o toque de Artur Jorge, relatou Christian. De acordo com o volante, o treinador exige intensidade durante os 90 minutos e passa energia diferente nos treinamentos.
“Ele mandou a gente ter mudança de atitude, foi o que aconteceu. A gente foi mais intenso, correu para frente. Como a gente brinca nos treinos, o professor está sempre junto com a gente, parece que está dentro do campo, dando carrinho, incentivando o tempo todo. Ele gosta da intensidade o tempo todo. A gente está muito feliz. É continuar batalhando para continuar vencendo”, finalizou.
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Kaio Jorge com liberdade
Em 2024, quando comandava o Botafogo, Artur Jorge exibiu gosto por um centroavante móvel, que não esperasse a bola apenas na grande área – utilizou Igor Jesus dessa forma. No Cruzeiro, encontrou em Kaio Jorge um atleta com características que validam tal modelo de jogo.
“O professor Artur tem me dado mais liberdade para flutuar dentro de campo, como gosto de atuar. Acaba que facilita meu estilo de jogo. Meus companheiros também estão começando a pegar confiança. A gente fez uma grande partida e conseguiu fazer gols que facilitaram o jogo. Agora é continuar trabalhando para pegar o São Paulo e conseguir sair com a vitória lá”
Kaio Jorge, atacante do Cruzeiro
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William em dupla função
William reforçou o pedido por intensidade e especificou as orientações passadas aos laterais. De acordo com o defensor, Artur Jorge quer que os alas sejam opção no setor ofensivo sem deixar de prestar atenção no esquema de defesa.
“O Artur é um cara muito enérgico. Transmite uma energia muito boa, praticamente joga com a gente na beira do campo. Ele pediu principalmente que a gente tivesse intensidade e conseguisse equilibrar a parte defensiva com a parte ofensiva. O lateral é ser opção para o ataque e focar na defesa. Graças a Deus, a gente conseguiu terminar o jogo sem sofrer gol, algo importante, a gente estava sofrendo. É o começo, a gente ainda tem muito o que aprender. Tenho certeza que, aprendendo tudo que ele passar, a gente tem muita coisa boa para fazer no campeonato”
William, lateral-direito do Cruzeiro
Kauã Moraes viu o desafio como oportunidade
Kaiki é o lateral-esquerdo titular do Cruzeiro. Mas defendeu a Seleção Brasileira na vitória amistosa por 3 a 1 sobre a Croácia, nessa terça-feira (31/3), em Orlando, nos Estados Unidos, e não chegou em Belo Horizonte a tempo. O reserva imediato, Kauã Prates, também havia entrado em campo no dia anterior, no triunfo por 3 a 1 da Seleção Brasileira Sub-20 diante do Paraguai, e ficou no banco. Nesse cenário, Artur Jorge escalou o lateral-direito Kauã Moraes improvisado.
Kauã Moraes não enxergou a missão como um desafio, e sim como oportunidade. Antes de entrar em campo, revelou que assistiu a alguns lances de Walace, lateral-direito da Roma-ITA que atua na faixa esquerda do gramado. A partir dali, foi só desenvolver o que havia praticado desde a chegada de Artur Jorge à Toca da Raposa. O jovem de 19 anos detalhou que recebeu orientações para não se acanhar caso algum lance não saísse como o planejado. Minado de confiança, esbanjou naturalidade.
“Me sinto bem ali, já tinha feito algumas vezes. A gente vinha trabalhando dessa forma na semana. Ele estava me dando total confiança, assim como deu para toda a equipe. Antes do jogo, ele falou para eu fazer aquilo que sabia, que se errasse era para ir para cima de novo, que não tinha problema. Foi importante ele dar confiança para a gente, a gente trazer confiança para ele também e sair com o bom resultado”
Kauã Moraes, lateral-direito do Cruzeiro
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