‘Esquecidos’ por Ancelotti na Seleção brilham na retomada do Brasileirão

‘Esquecidos’ por Ancelotti na Seleção brilham na retomada do Brasileirão

Para aqueles que defendem que o Brasil foi prejudicado no Mundial pela ausência de um meia de criação, a bronca com Ancelotti certamente aumentou após a vitória do Cruzeiro por 2 a 1 sobre o Internacional, nessa quarta-feira (22/7), no Beira-Rio, em Porto Alegre. Matheus Pereira, camisa 10 da Raposa, voltou a fazer a diferença.

Além de distribuir ótimos passes para finalizações dos companheiros, Pereira esbanjou categoria ao anotar o segundo gol cruzeirense aos 18 minutos da etapa complementar. O armador recebeu a bola na grande área, fintou o defensor do Inter e bateu rasteiro, de pé direito, no cantinho do goleiro Anthoni. Foi o seu nono gol em 34 partidas oficiais na temporada 2026.

Matheus Pereira, camisa 10 do Cruzeiro, marcou belo gol contra o Internacional - (foto: Lucas Bubols/Cruzeiro)
Matheus Pereira, camisa 10 do Cruzeiro, marcou belo gol contra o Internacional(foto: Lucas Bubols/Cruzeiro)

Já quem atribui o insucesso da Seleção à falta de um centroavante no esquema tático deve se perguntar: por que Pedro não foi chamado? O atacante do Flamengo balançou a rede duas vezes na goleada por 4 a 0 sobre a Chapecoense, na Arena Condá, em Chapecó, e assumiu a artilharia do Brasileirão, agora com 12 gols.

Pedro abriu o placar aos 25 minutos do primeiro tempo, em lance no qual driblou dois defensores antes da conclusão. Na etapa final, aos 41, desviou de cabeça o chute de Samuel Lino e deu números finais à partida. Ele alcançou 174 gols em 342 jogos pelo Rubro-Negro, ocupando a sexta posição entre os maiores artilheiros de todos os tempos do clube.

Pedro em ação pelo Flamengo contra a Chapecoense - (foto: Divulgação/Flamengo)
Pedro em ação pelo Flamengo contra a Chapecoense (foto: Divulgação/Flamengo)

Matheus Pereira e Pedro pela Seleção

Tanto o camisa 10 do Cruzeiro quanto o 9 do Flamengo estiveram na pré-lista de Ancelotti para a Copa. Contudo, nenhum deles recebeu oportunidades sob o comando do italiano. Matheus Pereira disputou apenas uma partida pela Seleção, em 2024, quando o técnico era Dorival Júnior. Já Pedro, que vestiu a Amarelinha em seis ocasiões, havia sido lembrado por Tite para a Copa de 2022.

Dificilmente a dupla fará parte do ciclo para a Copa do Mundo de 2030, pois Pedro terá 33 anos, e Matheus Pereira estará com 34. Porém, se Ancelotti basear suas escolhas estritamente no momento vivido pelos atletas, os dois têm chances de continuar no radar. A Seleção Brasileira voltará a campo contra a Austrália, em amistoso no dia 25 de setembro de 2026, na casa do adversário.

O ‘gargalo tático’ de Ancelotti

A eliminação nas oitavas de final expôs uma lacuna estrutural no modelo adotado por Carlo Ancelotti na Copa do Mundo. Ao apostar em esquema com quatro homens de frente, o Brasil abriu mão da cadência e do passe refinado no círculo central.

Nos momentos em que os adversários baixavam o bloco, a Seleção dependia quase exclusivamente de jogadas individuais pelas pontas, sentindo a falta de um camisa 10 capaz de flutuar entre as linhas defensivas e encontrar passes verticais para os atacantes.

Jogadores da Seleção Brasileira antes de jogo pela Copa do Mundo - (foto: Odd ANDERSEN / AFP)
Jogadores da Seleção Brasileira antes de jogo pela Copa do Mundo(foto: Odd ANDERSEN / AFP)

Na posição de centroavante, a aposta inicial foi em Igor Thiago, vice-artilheiro da Premier League 2025/26 pelo Brentford, com 22 gols. No entanto, a atuação apagada do ex-cruzeirense no empate por 1 a 1 com o Marrocos, na estreia do Mundial, fez Ancelotti repensar a estratégia. Assim, o Brasil adotou a tática de não ter uma referência dentro da área.

Em alguns jogos da Copa a escolha até funcionou, pois Vinícius Júnior fez quatro gols, ao passo que Matheus Cunha marcou três. Todavia, a Seleção sofreu nos confrontos eliminatórios, sobretudo diante da Noruega. Nessa partida, o volante Bruno Guimarães perdeu um pênalti, enquanto o atacante Endrick chutou para fora após ficar cara a cara com o goleiro Nyland.

Assim, os nomes de Matheus Pereira e Pedro ganham força no debate justamente por representarem virtudes que faltaram ao Brasil no momento mais crítico do Mundial: a visão de jogo refinada do armador e o instinto matador do camisa 9 de ofício.

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