Cruzeiro deve terminar ano sem grande título após investir mais de 300 milhões; resta um objetivo
O Cruzeiro largou mal na temporada. Em meio a tropeços, conquistou o título do Campeonato Mineiro – precisou deixar de poupar titulares no torneio para conseguir a façanha e o desejado primeiro troféu da ‘era Pedro Lourenço’. A glória deu mais tempo ao Tite na liderança do comando técnico, mas não durou muito. Depois de seis rodadas, a Raposa atendeu aos pedidos de parte da torcida e demitiu o treinador, que deixou a equipe na lanterna do Campeonato Brasileiro.
Artur Jorge surgiu como o substituto. E iniciou uma revolução. Com grande participação nos bastidores do clube, recuperou jogadores, confiança e se tornou um dos protagonistas da reação celeste – da última colocação para a sexta ao fim da 25ª rodada e o desejo de incomodar as equipes que ocupam a ponta. O Cruzeiro parecia, enfim, engrenado e capaz de buscar novas coisas. Até se colocou no mercado para buscar reforços. Mas algumas não mudaram. Especialmente a postura em momentos determinantes. Não é possível desprezar a resposta na Série A e os avanços nas copas. Mas, pelo valor investido e pelos nomes que carrega, parece pouco para a Raposa.
É claro que o sorteio complicou a vida do clube na Libertadores ao colocá-lo no caminho do Flamengo, um dos favoritos ao título e o elenco mais valioso do país. Justamente por isso é possível afirmar que a eliminação em si, ocasionada por empate por 1 a 1 seguido de derrota por 2 a 1, não pegou os torcedores de surpresa. E sim a forma. Na partida de volta, o time abriu mão de jogar o primeiro tempo no Maracanã, no Rio de Janeiro – o técnico Artur Jorge admitiu que “não fomos iguais a nós”. Quando reagiu, era tarde demais.
Os cruzeirenses mal tiveram tempo de recuperar do baque. Na semana seguinte, iniciaram o embate com o Atlético, maior rival, pelas quartas da Copa do Brasil. No primeiro duelo, a Raposa abriu vantagem, mas cedeu o empate. Custou – muito – caro. Na volta, disputada nessa terça-feira (1º/8), na Arena MRV, em Belo Horizonte, desenho até parecido. O Cruzeiro inaugurou o marcador. Voltou melhor para a segunda etapa, mas se deparou com a expulsão do zagueiro Lucas Villalba. Claramente não soube lidar e se entregou. Chamou o adversário para o campo de defesa. As alterações propostas por Artur Jorge também não surtiram efeito. A partir daquele momento, o Galo fez o que quis em campo, buscou a virada por 2 a 1 e selou nova eliminação dos celestes.
E agora? Como dito pelo treinador em oportunidade anterior, a Copa do Brasil era ‘o caminho mais curto‘ para um título. No calendário do clube estrelado, resta apenas o Campeonato Brasileiro. A liderança está longe da realidade dos celestes, que figuram em sexto lugar, com 39 pontos, e testemunham briga acirrada pela ponta entre Palmeiras, o líder, com 52, e Flamengo, o vice, com 48.
Dizer que é impossível é brigar contra os números. Arrancadas – como o próprio Cruzeiro protagonizou – são realidades. Mas o tema parece nem ser debatido internamente. Artur Jorge, Pedro Junio, vice-presidente, Lucas Romero, volante, Matheus Pereira, meio-campista, e Wesley, atacante, alguns dos representantes do clube que deram entrevista após a derrota para o Atlético, hora nenhuma mencionaram a taça do Brasileiro. Deixaram claro que o objetivo é espaço na principal competição continental.
De qualquer forma, o melhor é se precaver. A Raposa deve terminar o ano sem um grande título mesmo investindo mais de R$ 300 milhões em contratações. E não haverá outra opção a não ser se contentar com a disputa pelo direito de jogar a fase de grupos da Libertadores em 2027. O Campeonato Brasileiro agora é a única via para tal.
A princípio, os quatro primeiros colocados garantem vaga direta na fase de grupos da Libertadores. O quinto vai para a etapa preliminar. O G4 pode virar G6 se os campeões das atuais edições da Libertadores e da Copa Sul-Americana ocuparem uma das cinco colocações da Série A.
Há ainda a hipótese de “G9”. Isso porque o vencedor da Copa do Brasil também vai à fase de grupos, enquanto o vice se classifica para a etapa preliminar. Caso o ganhador já tenha espaço na Libertadores via Brasileirão, a vaga na etapa de grupos é destinada ao vice, que repassa a oportunidade na chamada ‘pré-Libertadores’ ao clube mais bem colocado na Série A. Se campeão e segundo da Copa do Brasil já estiverem no G4, a vaga passa para o clube mais bem colocado na Série A, excluídos os já classificados.
Gastos do Cruzeiro com contratações definitivas em 2026
- Gerson: 27 milhões de euros (R$ 168 milhões na cotação da época)
- Chico da Costa: 1 milhão de dólares (R$ 5,5 milhões na cotação da época)
- Gabriel Rojas: 6 milhões de dólares (R$ 31 milhões na cotação da época)
- Gabriel Pec: 12 milhões de dólares (R$ R$ 60 milhões na cotação da época)
- Zé Lucas: R$ 25,5 milhões
- Sinisterra*: 3,5 milhões de euros (R$ 22 milhões na cotação da época)
*Sinisterra compunha o elenco desde 2025, mas por empréstimo. Em maio, o Cruzeiro oficializou a compra dos direitos econômicos do atleta.
Eliminações do Cruzeiro desde 2024
- Copa Sul-Americana 2024: vice-campeão
- Campeonato Mineiro 2024: vice-campeão
- Campeonato Mineiro 2025: eliminação na semifinal
- Copa do Brasil 2025: eliminação na semifinal
- Copa Sul-Americana 2025: eliminação na fase de grupos
- Copa Libertadores 2026: eliminação nas oitavas
- Copa do Brasil 2026: eliminação nas quartas
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