Tríplice Coroa: Alex define ‘ápice’ no Cruzeiro em 2003 e revela pedido a árbitro

Tríplice Coroa: Alex define ‘ápice’ no Cruzeiro em 2003 e revela pedido a árbitro

Em participação no Cruzeiro Cast, publicado nesta terça-feira (6/10), Alex elegeu a partida de 30 de novembro de 2003 como o momento mais emblemático da temporada. O Cruzeiro venceu o Paysandu por 2 a 1 no Mineirão e confirmou matematicamente o título brasileiro com duas rodadas de antecedência.

O camisa 10 não estava em campo. Suspenso pelo terceiro cartão amarelo, Alex acompanhou a partida do camarote ao lado do então presidente Zezé Perrella, da esposa e de Alex Dias.

Ainda assim, foi justamente daquele camarote que ele viveu o que considera o ápice da temporada.

“Pra mim o especial é o gol do Zinho contra o Paysandu. É a confirmação de tudo.”

Gol de Zinho contra o Paysandu em 2003 - (foto: Marcelo Sant'Anna/EM/D.A Press )
Gol de Zinho contra o Paysandu em 2003(foto: Marcelo Sant’Anna/EM/D.A Press )

Alex tentou evitar suspensão

A ausência na partida decisiva teve uma história curiosa. Na rodada anterior, contra o Paraná, Alex recebeu o terceiro cartão amarelo e ficou automaticamente suspenso para o confronto com o Paysandu.

O meia revelou que tentou evitar esse cenário.

“Eu tomei o terceiro amarelo contra o Paraná na rodada anterior, eu tinha pedido para o Tardelli, árbitro no dia, para ele segurar para eu não perder o jogo do título, mas foi tudo bem.”

O árbitro daquela partida contra o Paraná era Wagner Tardelli. O Cruzeiro venceu por 3 a 1 em Curitiba, mas Alex acabou advertido e não pôde participar da festa dentro de campo na rodada seguinte.

Alex sendo advertido com um cartao amarelo pelo árbitro Wagner Tardelli Azevedo - (foto: Jorge Gontijo/Estado de Minas)
Alex sendo advertido com um cartao amarelo pelo árbitro Wagner Tardelli Azevedo(foto: Jorge Gontijo/Estado de Minas)

O craque, entretanto, encontrou uma maneira de acompanhar o título de perto.

“Assisti ao jogo do camarote ao lado do Zezé Perrella, da minha esposa, do Alex Dias, consigo levar as famílias da arquibancada pro campo, para verem o Cruzeiro ser campeão de dentro do campo.”

Daiane (esposa de Alex, Alex, Alex Dias e Aécio Neves (governador de Minas Gerais à época) comemoram gol do Cruzeiro contra o Paysandu - (foto:  Paulo Filgueiras/Estado de Minas )
Daiane (esposa de Alex), Alex, Alex Dias e Aécio Neves (governador de Minas Gerais à época) comemoram gol do Cruzeiro contra o Paysandu(foto: Paulo Filgueiras/Estado de Minas )

Zinho e Mota confirmaram o projeto

Sem Alex, Luxemburgo escalou o experiente Zinho para ocupar o espaço no meio-campo. Aos 7 minutos, o jogador abriu o placar com uma cobrança de falta e colocou o Mineirão em festa.

No segundo tempo, Mota ampliou a vantagem. O Paysandu ainda diminuiu no fim, mas o Cruzeiro confirmou a vitória por 2 a 1 e, com o resultado, garantiu matematicamente o título.

Para Alex, os dois gols simbolizaram mais do que a vitória daquela tarde.

“O gol do Zinho e do Mota são a afirmação daquilo que desenhamos e conseguimos executar.”

O gol de Zinho, portanto, tem um significado especial para Alex porque representou a confirmação de que o trabalho desenvolvido durante toda a temporada havia chegado ao resultado esperado.

Título que faltava ao Cruzeiro

Alex também dimensionou a importância histórica daquele Campeonato Brasileiro para o Cruzeiro. A conquista veio na primeira edição do Brasileiro disputada integralmente no sistema de pontos corridos. Naquele momento, segundo o meia, havia também uma discussão sobre o reconhecimento dos títulos nacionais anteriores.

“Primeira vez por pontos corridos, naquele momento não existia o reconhecimento da CBF da Taça Brasil de 66, existia o peso do Brasileiro de 71 pro Atlético, era o único do estado com título reconhecido.”

O Cruzeiro já havia construído uma história internacional e nacional relevante antes de 2003. O clube conquistara a Libertadores de 1976, duas Supercopas da Libertadores e quatro títulos da Copa do Brasil, além de outras taças importantes.

Mas, na visão de Alex, o Campeonato Brasileiro preenchia uma lacuna.

“Mesmo o Cruzeiro tendo ganho Supercopa, Libertadores, Copa do Brasil, parecia que faltava algo para o clube e conseguimos.”

E não foi apenas o título que marcou o ex-meia. A forma como o Cruzeiro chegou à conquista também faz parte da lembrança.

Cruzeiro antes do jogo contra o Paysandu - (foto: Paulo Filgueiras/Estado de Minas)
Cruzeiro antes do jogo contra o Paysandu(foto: Paulo Filgueiras/Estado de Minas)

Ganhar ‘à la Cruzeiro’

Alex lembrou uma das ideias defendidas por Vanderlei Luxemburgo durante aquela campanha: não bastava conquistar resultados. O Cruzeiro precisava apresentar um futebol compatível com sua tradição.

“Conseguimos de maneira espetacular, com jogos maravilhosos, o Luxemburgo dizia que não bastava ganhar, tinha que ganhar à la Cruzeiro, como o time de 1966.”

A referência é à equipe que conquistou a Taça Brasil de 1966, considerada por Alex como uma das grandes referências históricas do clube.

O Cruzeiro de 2003 terminou o Brasileiro com 100 pontos, marca alcançada depois da vitória sobre o Paysandu e dos dois jogos restantes da competição (5 a 2 sobre o Fluminense e 7 a 0 sobre o Bahia). O título havia sido assegurado matematicamente com duas rodadas de antecedência.

Para Alex, aquela equipe deixou também uma memória que ultrapassou os números.

“Quem assistiu teve boas histórias para contar.”

E o próprio camisa 10 tem uma delas: o principal jogador do time campeão não pôde entrar em campo no jogo que confirmou a Tríplice Coroa, mas viu do camarote o gol de Zinho que, para ele, simbolizou a confirmação de que o Cruzeiro havia conseguido exatamente aquilo que havia planejado.

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