Flamengo: Arrascaeta faz gol e homenageia Oscar Schmidt no Maracanã
O gol, emblemático por si só, ganhou contornos ainda mais especiais por conta da comemoração: Arrascaeta homenageou Oscar Schmidt, lenda do basquete brasileiro, que faleceu nessa sexta-feira (17/4), aos 68 anos, após sentir um mal-estar e sofrer uma parada cardiorrespiratória em São Paulo. Desde 2011, ele tratava um tumor cerebral.
Como foi a homenagem?
As homenagens se iniciaram antes mesmo de a bola rolar. O meia flamenguista deixou de usar a camisa 10 e hoje, especificamente, voltou a utilizar o número 14, em alusão à numeração utilizada por Oscar ao longo da carreira.
Aos 17 minutos do primeiro tempo, após jogada iniciada pelo meia Lucas Paquetá, Arrascaeta tabelou com o atacante Pedro e completou de perna esquerda para o gol vazio. 1 a 0 para o Flamengo.
Na comemoração, o jogador tirou a camisa, mostrou o número 14, estendeu a blusa e em seguida fez um “arremesso” de basquete, utilizando uma bola que estava ao lado do gol. Veja o gol e a comemoração abaixo.
É PRA VOCÊ, OSCAR! ARRASCAETA!
1⃣4⃣Flamengo 1×0 Bahia pic.twitter.com/8ilrIdUSkH
— Planeta do Flamengo
(@fla_infos) April 19, 2026
Trajetória de Oscar Schmidt
O ala de 2,05m, que deixou Natal e ganhou o mundo, anotou 49.737 pontos – 1.093 deles nas impressionantes cinco edições de Jogos Olímpicos que disputou (Moscou 1980, Los Angeles 1984, Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996).
A santidade se comprova não apenas nos “milagres” e nas tantas cestas que empilhou, mas em decisões que hoje em dia soariam como impensáveis. Oscar rompeu barreiras, quebrou paradigmas e desafiou a ordem do basquete internacional. Disse “não” à NBA, maior liga do planeta. Tudo para seguir como amador e não se ver obrigado a abandonar a Seleção Brasileira, regra na época.
Com a camisa verde e amarela – e o sagrado número 14 às costas -, conseguiu o respeito no mundo do basquete mesmo sem ter atuado nos EUA. Tornou-se o maior cestinha da história das Olimpíadas, acumulou conquistas e, mais importante que isso, foi um dos grandes responsáveis por popularizar a modalidade no Brasil. Pela Seleção, foi bronze no Campeonato Mundial (1978), ouro no Pan contra os EUA (1987), três vezes campeão do Sul-Americano (1977, 1983 e 1985), entre tantas outras glórias.
Uma trajetória que parecia improvável para um menino que, na verdade, gostaria de ser jogador de futebol. A altura – que o destacava ao lado de amigos mais baixos – apareceu como um impeditivo. Mas não tinha problema. Ele, então, deixou-se apaixonar pela bola laranja.
Aos 16 anos, quando já havia saído do Rio Grande do Norte para São Paulo, iniciou a trajetória pelo time infantojuvenil do Palmeiras. Daí em diante, alcançou voos impressionantes. Jogou por Esporte Clube Sírio, América, JuveCaserta Basket (Itália), Pavia (Itália) e Forum/Valladolid (Espanha).
Nos anos 1990, decidiu voltar ao Brasil – após mais uma recusa à NBA – e assinou com o Corinthians. Passou, ainda, por Bandeirantes, Mackenzie/Microcamp e Flamengo. Por clubes, conquistou oito títulos nacionais como amador e profissional.
Por muito tempo, ostentou o posto de maior cestinha da história do basquete mundial – foi ultrapassado em 2024, pelo estadunidense LeBron James. No ano anterior, uma ironia do destino: entrou para o Hall da Fama da NBA, agraciado por ser reconhecidamente um dos grandes atletas de todos os tempos.
Após deixar a carreira de jogador, dedicou-se a compartilhar em palestras as experiências vividas em quadra. Aventurou-se brevemente na política. Em 2011, foi diagnosticado com um câncer no cérebro (glioma), do qual se curou em 2022.
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