Cruzeiro x Atlético: onde assistir ao vivo e escalações pelo Brasileiro
Reencontro depois de confusão
Em 8 de março, Cruzeiro e Atlético disputaram no Gigante da Pampulha a final do Estadual. Como de praxe, fizeram jogo truncado, caracterizado pela cautela. Sem querer se expor demais, as equipes pouco criaram chances reais. A melhor da partida, a Raposa aproveitou. Aos 14 minutos da segunda etapa, o meio-campista Matheus Pereira acionou o volante Gerson na linha de fundo. O camisa 11 cruzou na medida para o atacante Kaio Jorge, que ganhou da defesa do Galo e cabeceou.
O cenário até mudou um pouco, já que o Galo tentou se lançar ao ataque, mas não chegou a dar trabalho para o goleiro Cássio. A Raposa, por sua vez, trabalhou para manter o resultado. Nos acréscimos, os jogadores protagonizaram cenas lamentáveis. Tudo começou quando o volante Christian fez falta no goleiro Everson, que não reagiu bem ao lance e e partiu para cima do cruzeirense, deitado no chão, o atingindo com os joelhos.
Rapidamente, outros atletas do Cruzeiro foram tirar satisfação na base da força física. A pancadaria generalizada começou. Socos, chutes, voadoras e diferentes golpes foram disferidos. Sem clima, o árbitro Matheus Delgado Candançan apitou o fim da partida depois de alguns minutos. No fim, 23 atletas foram expulsos e punidos.
Cruzeiro confiante
O Cruzeiro vive momento de ascensão sob o comando de Artur Jorge, que assumiu a equipe no fim de março e acumula 70% de aproveitamento – são seis vitórias, duas derrotas e um empate. Os números tiraram a Raposa da lanterna do Brasileiro e a colocaram em 12º lugar, com 16 pontos.
Além disso, o clube celeste abriu a caminhada na Copa do Brasil com empate por 2 a 2 com o Goiás, fora de casa – ou seja, buscará o avanço como mandante – e segue vivo em busca da classificação na Copa Libertadores – ocupa a terceira posição do Grupo D, com seis pontos, mesma quantidade da líder Universidad Católica-CHI e do vice-líder Boca Juniors-ARG.
Atlético em momento turbulento
O Atlético, por sua vez, vive fase extremamente conturbada – dentro e fora das quatro linhas. Na quinta-feira (30/4), diante de intensa pressão de torcedores, Rafael Menin, um dos principais acionistas da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) alvinegra anunciou afastamento do dia a dia do clube.
Na esfera esportiva, Paulo Bracks, vice-presidente de futebol, também tem sido alvo de muitas cobranças das arquibancadas. Diante do fraco desempenho esportivo do time alvinegro e das polêmicas envolvendo a gestão do vestiário do Galo, o executivo tem tido o trabalho questionado.
Por fim, a pressão também recai sobre o treinador Eduardo Domínguez, que não tem conseguido fazer com que a equipe evolua dentro das quatro linhas. Diversos torcedores tem se incomodado com as decisões do argentino – seja no planejamento das partidas ou nas substituições – e com a exposição defensiva que o time tem demonstrado em campo.
Em meio a este contexto, o Atlético perdeu três dos últimos quatro jogos que disputou. No Brasileirão, três reveses consecutivos levaram o Galo ao 15º lugar na tabela de classificação, com apenas 14 pontos – a mesma pontuação do Santos, primeiro clube na zona de rebaixamento.
Os comandados de Domínguez ainda chegam ao clássico desmoralizados por duras derrotas em sequência. No domingo (26/4), sem capacidade de reação, o Atlético foi goleado pelo Flamengo (4 a 0) na Arena MRV, em Belo Horizonte, pela 13ª rodada da Série A. Já na quarta-feira (29/4), com time alternativo, o Galo perdeu para o Cienciano-PER (1 a 0) no Estádio Inca Garcilaso de la Vega, em Cusco – resultado que deixou o clube na lanterna do Grupo B da Copa Sul-Americana.
Aos que se apegam ao aspecto emocional, de toda maneira, o clássico contra o Cruzeiro tem elemento de revanche para o Atlético. Isso porque o clube viu sequência de seis títulos do Campeonato Mineiro ser derrubada pelo arquirrival neste ano, em final “manchada” por cenas de selvageria no Mineirão.
Mineirão lotado
O Cruzeiro espera receber 60 mil torcedores no Gigante da Pampulha. Por ser o mandante, tem direito a 90% da carga de ingressos, enquanto os outros 10% foram destinados ao clube alvinegro – a proporção é diferente da decisão do Estadual, já que, naquela ocasião, a Federação Mineira de Futebol (FMF) era a mandante, ou seja, distribuiu as entradas igualmente.
Caso todos os bilhetes sejam comercializados, a Raposa registrará o maior público da temporada. O número pertence à vitória por 1 a 0 sobre o Boca Juniors-ARG, nessa terça-feira (28/4), pela terceira rodada do Grupo D da Copa Libertadores, quando 59.126 torcedores estiveram no Mineirão.
Cruzeiro x Atlético: onde assistir
Os torcedores de Cruzeiro e Atlético que não forem ao Mineirão terão duas opções para assistir ao clássico: SporTV (TV fechada) e Premiere (pay-per-view).
Cruzeiro x Atlético: prováveis escalações
Escalação do Cruzeiro
O técnico Artur Jorge tem quase todas as opções disponíveis para escalar o Cruzeiro. E algumas dúvidas também. A começar pela meta celeste.
Recentemente, o treinador disse que não é adepto da rotação nas traves. Contudo, nos últimos quatro jogos, alternou Matheus Cunha e Otávio – o primeiro atou contra Grêmio e Remo, pelo Brasileiro; e o segundo entrou em campo diante de Goiás, pela Copa do Brasil, e Boca Juniors-ARG, pela Copa Libertadores.
Na lateral direita, outra dúvida. Fagner é o titular de Artur Jorge. Contudo, ele perdeu algumas partidas em função de um incômodo muscular. Retornou diante do Boca, mas no intervalo deu espaço a Kauã Moraes. A tende é que, se tiver condição física, o experiente atleta de 36 anos comece na posição. William também é opção.
A tendência é que a torcida não testemunha mudanças do meio para frente. Mas é fato que os atacantes Bruno Rodrigues e Néiser Villarreal têm caído nas graças do comandante e disputam posição.
Há a possibilidade de novidade entre os relacionados. Trata-se de William Fernando, da equipe sub-20. O lateral-esquerdo é candidato a ocupar vaga de Kauã Prates, reserva de Kaiki que se lesionou.
- Escalação do Cruzeiro: Otávio; Fagner (Kauã Moraes), Fabrício Bruno, Jonathan Jesus e Kaiki; Lucas Romero e Gerson; Matheus Pereira, Arroyo, Christian e Kaio Jorge.
- Desfalques do Cruzeiro: goleiro Cássio (lesão multiligamentar no joelho esquerdo) e lateral-esquerdo Kauã Prates (lesão muscular na região anterior da coxa direita).
- Pendurados do Cruzeiro: volante Gerson e atacante Arroyo
Escalação do Atlético
Diante da fase ruim atravessada pelo Atlético, existe a possibilidade de que Domínguez faça mudanças – até mesmo de sistema – diante do Cruzeiro. Ainda assim, é possível inferir a base do time que o argentino deve mandar a campo, pelos nomes que foram poupados da viagem a Cusco.
“Barba” contará com o retorno do lateral-esquerdo Renan Lodi, que cumpriu suspensão automática na última rodada do Brasileirão. Ele certamente estará entre os titulares alvinegros.
Com o objetivo de reforçar a marcação, Domínguez pode optar por estruturas com três zagueiros ou três volantes. Se uma dessas opções for escolhida pelo comandante, Vitor Hugo e Tomás Pérez, nesta ordem, seriam os mais cotados para compor o 11 inicial.
- Provável escalação do Atlético: Everson; Natanael, Ruan Tressoldi, Lyanco e Renan Lodi; Maycon, Alan Franco, Victor Hugo e Cuello; Bernard (Alan Minda ou Dudu) e Cassierra
- Pendurados do Atlético: Lyanco, Ivan Román, Renan Lodi, Tomás Pérez e Alan Franco
- Desfalques do Atlético: Patrick (lesão ligamentar no joelho direito), Cissé (edema na coxa esquerda) e Índio (lesão ligamentar no joelho direito)
Cruzeiro x Atlético: arbitragem
- Árbitro: Flavio Rodrigues de Souza (SP)
- Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Alex Ang Ribeiro (SP)
- VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)
Cruzeiro x Atlético: personagens
“Nosso pensamento é jogar bola. Já falei que não nos orgulhamos daquilo que aconteceu no final. Não é orgulho para ninguém. Nosso estádio mais uma vez vai estar muito cheio. É outra competição em que a gente precisa seguir pontuando”
Gerson, volante do Cruzeiro
“Temos que arregaçar as mangas, não queremos culpar ninguém. Somos todos culpados e temos que ir para frente. Se você espera que o do lado te levante, ele não quer te levantar, ele quer pisar em você. Então, temos que seguir construindo essa fortaleza grupal. É fácil acreditar quando as coisas acontecem. Na dificuldade, é preciso acreditar mesmo quando não acontece o que buscamos. Vai depender de nós e não dos rivais, e nessa parte temos que ser fortes”
Eduardo Domínguez, técnico do Atlético
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