Tite revela bastidores de briga generalizada em Cruzeiro x Atlético: ‘Situações pessoais’
No dia 8 de março, a vitória do Cruzeiro sobre o Atlético, por 1 a 0, que selou o título da Raposa, foi tragada por um registro histórico de 23 expulsões – resultado de uma briga generalizada entre os jogadores.
Hoje, com o Cruzeiro sob a direção técnica de Artur Jorge, o ex-comandante celeste, Tite, rompeu o silêncio. Em uma entrevista densa ao programa “Abre Aspas”, o treinador revisitou o episódio e ofereceu uma anatomia psicológica do caos, sugerindo que o gramado foi apenas o palco final de um rancor sedimentado há tempos.
- A punição aplicada aos jogadores do Atlético por pancadaria contra o Cruzeiro
Para Tite, o conflito não nasceu apenas por causa da agressão do goleiro Everson em Christian. Ele descreve uma sensação de inevitabilidade que pairava sobre o Gigante da Pampulha.
“E isso estava no ar, contagiar o episódio no final do jogo”, afirmou. Segundo o técnico, o estopim foi alimentado por “muita coisa passada, mas ali foram uns furtinhos de situações passadas que já aconteceram, de rivalidades que já aconteceram, de provocações que já aconteceram”.
O treinador buscou na cronologia da temporada anterior as raízes da hostilidade, citando o impacto da ausência do Cruzeiro na final de 2025 do Campeonato Mineiro. “Eu só comecei a entender isso depois também, e passado o tempo, às vezes, a gente começa a entender uma situação do ano anterior, do Cruzeiro não ter classificado para a final e ter ficado fora para o América”, explicou. Tite ainda mencionou que manifestações de algumas pessoas criaram uma “atmosfera difícil também dentro do grupo, e isso ficou”.
Sobre o lance capital em que Everson acertou uma joelhada no rosto e peito de Christian, Tite foi direto. “Quando aconteceu o episódio, nós estávamos na iminência do título. Foi feito uma falta tática, eu considero assim, o Christian fez uma falta tática no Everson, porém a reação dele foi desmedida. E aí, a partir daí, ela foi o estopim para que acontecesse”.
A partir daquele instante, o Mineirão viu uma sequência de agressões que impossibilitou qualquer controle. Tite descreveu sua tentativa de conter os ânimos em meio ao efeito dominó de violência. “Eu entrei justamente para tirar o máximo de pessoas. Quando acalmava de um lado, estourava no outro. Aí eu digo: ‘calma, tira, sai, sai’. Tentando tirar, mas não tinha condições”.
‘Situações pessoais’ e recado a Everson
O trecho mais instigante da revelação envolve as desavenças íntimas entre os profissionais. Tite admitiu saber de motivações que transcendem a rivalidade esportiva, mas optou por uma reserva ética.
“Tinha alguma coisa nesse meio tempo com algumas pessoas específicas que eu sei, mas eu não quero falar. Eu sei, mas não quero falar. Posso falar, mas não devo, não quero. Que é de atritos anteriores de situações passadas. É agora, tipo agora vai ‘comer a massa’. Então tem situações pessoais. Pessoais, profissionais, manifestações”, disparou.
O goleiro Everson, inclusive, com quem Tite mantém uma relação de amizade desde os tempos de Seleção Brasileira, não foi poupado de uma reprimenda particular. “Nós conversamos. Eu disse: ‘Tá errado, Everson, tá errado’, porque gosto dele. Eu não queria nem que se manifestasse de uma forma pública”.
Reação do Cruzeiro
Ao fim, o tom de Tite foi de lamento. Mesmo na posição de campeão daquela tarde, a amargura pelo espetáculo degradante parece sobrepor-se. “Não gostaria que acontecesse. Falei isso para os atletas. Aliás, eu me externo em uma relação de lealdade que eu tenho ali para dentro deste vestiário”, disse ele.
“Não gostaria que tivesse acontecido dessa forma, não é exemplo. Coloquei isso: não é exemplo para garoto que está ali, não é exemplo para meus netos, não é exemplo para ninguém. Mas também entendo que há todo um contexto e de reação, não foi de ação”.
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