Capitão do Cruzeiro em vitória na Bombonera relembra gol e provocações: ‘Dão pontapés’

Capitão do Cruzeiro em vitória na Bombonera relembra gol e provocações: ‘Dão pontapés’

Capitão do Cruzeiro em vitória na Bombonera relembra gol e provocações: ‘Dão pontapés’
Capitão do Cruzeiro em vitória na Bombonera relembra gol e provocações: ‘Dão pontapés’ (Ex-lateral do Cruzeiro, Paulo Roberto Costa, ao lado de Ronaldo, hoje sócio majoritário da SAF)

Capitão do Cruzeiro na histórica vitória sobre o Boca Juniors-ARG na Bombonera, em 1994, o lateral-direito Paulo Roberto Costa guarda até hoje lembranças da noite em que o clube celeste derrubou um dos maiores tabus do futebol sul-americano.

Autor do primeiro gol do triunfo da Raposa por 2 a 1, pela Copa Libertadores, o ex-jogador relembrou, em entrevista exclusiva ao No Ataque, o ambiente hostil em Buenos Aires, as provocações constantes dos argentinos e a necessidade de controle emocional para sobreviver ao cenário criado pelo Boca dentro e fora de campo.

À época, entre os clubes brasileiros, somente o Santos de Pelé havia derrotado o Boca na Bombonera, em 1963. O Cruzeiro entrou para o seleto grupo em uma noite marcada por muita tensão.

“Fico muito feliz por ser lembrado por um jogo assim até hoje. Na época falavam muito que o Cruzeiro não ganhava lá por conta da rivalidade, mas nosso time era muito bom.”

Segundo Paulo Roberto, a pressão argentina acabou funcionando como combustível para o elenco comandado por Ênio Andrade.

“Tudo que ouvimos desde a nossa chegada nos motivou muito. O presidente César Masci deu uma boa premiação. Foi muito especial por eu ter feito o gol e ser o capitão do time.”

‘Entrar com 11 e terminar com 11’

Mais do que bola jogada, Paulo Roberto entende que vencer na Bombonera exige preparo psicológico. O ex-jogador relembrou que o Cruzeiro precisou lidar com pressão intensa desde a chegada ao estádio.

“A chegada do ônibus na Bombonera foi muito difícil. Eu, como capitão, falava com os jogadores sobre entrarmos com 11 e terminarmos com 11.”

Segundo ele, o Boca utilizava constantemente a provocação como arma emocional contra adversários brasileiros.

“Sempre que se joga contra os grandes argentinos há provocação e rivalidade. Se não estivermos preparados psicologicamente, eles sabem muito bem provocar e o brasileiro cai na provocação.”

Paulo Roberto ainda detalhou a forma como os argentinos tentavam desestabilizar o Cruzeiro durante a partida.

“O argentino entra preparado para provocar e virar de costas, provocar e sair andando.”

O ex-lateral acredita que esse comportamento segue praticamente igual mais de 30 anos depois.

“Trinta anos depois a rivalidade segue igual. Então os jogadores precisam evitar confusão.”

‘Dão pontapés e fingem pedir desculpas’

Ao aconselhar o elenco do Cruzeiro para o duelo desta terça-feira, Paulo Roberto reforçou que o time precisa jogar sem medo, mas também sem perder o controle emocional diante da pressão da Bombonera.

“O Cruzeiro tem condição de ganhar, se souber usar o lado psicológico, não cair em provocação.”

Na sequência, o ex-capitão resumiu de forma direta a estratégia utilizada pelos argentinos em confrontos grandes.

“Porque eles dão pontapé, puxam cabelo e fingem que estão pedindo desculpas.”

Paulo Roberto entende que a postura será determinante para o Cruzeiro competir em Buenos Aires.

“O jogador do Cruzeiro precisa estar preparado, entrar com 11 e terminar com 11, entrar sem medo, tentar dribles, que as coisas vão acontecer.”

Para ele, o erro de muitos adversários do Boca é entrar apenas tentando suportar a pressão.

“Não tem que entrar para empatar. Tem que entrar para ganhar.”

Jogadores de Boca Juniors e Cruzeiro na Bombonera em 1994 - (foto: Arquivo Estado de Minas)
Em 1994, Cruzeiro bateu o Boca na Bombonera (foto) e no Mineirão, pela Libertadores(foto: Arquivo Estado de Minas)

‘Um dos gols mais bonitos da minha carreira’

Além da atmosfera hostil e das provocações, Paulo Roberto também guarda com carinho o gol marcado naquela noite histórica na Bombonera. O lateral abriu o placar em uma cobrança de falta que considera uma das mais especiais da carreira.

“Foi um dos gols mais bonitos da minha carreira.”

A lembrança mais prazerosa, segundo ele, veio da repercussão após a bola entrar.

“É bom ouvir a narração do Brasil empolgada e a narração da Argentina triste, murcha.”

Os lances de Boca 1 x 2 Cruzeiro na Libertadores de 1994

Paulo Roberto Costa no Cruzeiro

A passagem do lateral-direito Paulo Roberto Costa pelo Cruzeiro ocorreu no início da década de 1990 (entre 1992 e 1993), uma das fases mais vitoriosas da história celeste.

Pelo clube celeste, conquistou Copa do Brasil (1993), Supercopa Libertadores (1991 e 1992) e um Campeonato Mineiro (1992).

Duelo decisivo em 2026

Boca Juniors e Cruzeiro terão duelo decisivo na fase de grupos da Copa Libertadores de 2026. O jogo da quinta rodada da chave D será nesta terça-feira (19/5), às 21h30, em La Bombonera.

Os mineiros somam sete pontos, na segunda posição, enquanto os argentinos têm seis, em terceiro. A Universidad Católica, do Chile, está em primeiro, com sete, ao passo que o Barcelona, do Equador, é o último, com três.

Se o Cruzeiro ganhar ou empatar contra o Boca, continuará dependendo somente de si para se classificar às oitavas de final.

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