Bechler avalia Cruzeiro na Bombonera e contesta atacante: ‘É um perigo’

Bechler avalia Cruzeiro na Bombonera e contesta atacante: ‘É um perigo’

Na avaliação de Bechler, o Cruzeiro dá sinais positivos de que tem um time em processamento, pois ‘sabe o que tem que ser feito mesmo nos piores momentos’: “Apesar do apavoro, sabia o que tinha que fazer. Como isso começou tarde, o (Campeonato) Brasileiro já foi para o espaço. E na Libertadores, o time sai vivo de um torneio que parecia que não sairia… O Cruzeiro entendeu o que é um jogo de Libertadores. É preciso jogar, sofrer, não se pode desesperar”.

‘O Cruzeiro entendeu o que é um jogo de Libertadores’

O ‘apavoro’ diz respeito à pressão do Boca Juniors nos primeiros 20 minutos. Em casa e diante de mais de 50 mil torcedores, a equipe argentina sufocou a adversária, insistiu de todas as formas a partir do apito inicial e abriu o marcador logo aos 15 minutos, com o atacante Merentiel. Até aquele momento, o Cruzeiro era apático em termos ofensivos.

De acordo com Bechler, o placar ao fim do primeiro tempo não refletiu a imposição do Boca. O ponto positivo para o comentarista é que o clube estrelado ‘soube sofrer’, comportamento que uma noite de Copa exige: “O Cruzeiro entendeu o que é um jogo de Libertadores. É preciso jogar, sofrer, não se pode desesperar… Pelo que criaram, o normal era que saísse com mais de um gol de diferença para o time argentino”.

Depois de sofrer o tento, a Raposa enfim se livrou da pressão e começou a trocar passes. A equipe ajustou erros no intervalo e percebeu o efeito positivo na volta. Já mais confortável na partida, o Cruzeiro buscou o empate aos oito minutos, com o lateral-direito Fagner.

‘Sensação que ia ganhar o jogo’

A Raposa se mostrou capaz de buscar a virada. Mas precisou mudar os planos quando Gerson foi expulso. Aos 23 minutos, o volante acertou as travas da chuteira em Paredes, companheiro de profissão, e viu o árbitro Jesús Valenzuela mostrar o vermelho com o auxílio do VAR. A percepção de Beclher é que o clube mineiro tinha condições de vencer se não fosse tal episódio.

“Cruzeiro volta para o segundo tempo bem melhor. Até a expulsão do Gerson, o Cruzeiro era melhor e a sensação que dava é que ia ganhar o jogo, que o pior já tinha passado, que o Otávio já tinha sido útil. O Cruzeiro estava conseguindo colocar o Boca na roda, atacando bem, em um muito bom jogo do Gerson”, seguiu.

A ‘lição’ que fica é a importância de não abrir mão de uma partida de futebol: “Se o Boca tivesse jogado mais futebol e brigado menos, talvez tivesse mais prêmio. Serve de alerta. Sempre parece que a melhor forma de ganhar é destruir o adversário e, de vez em quando, jogar bola é a melhor ideia. O Boca, quando fez isso, foi bom time. O Paredes é um jogador excelente.. Mas o Cruzeiro também. O Cruzeiro teve méritos para empatar e poderia ter vencido. Sai vivíssimo”.

Bechler contesta Néiser Villarreal

Aos 35 minutos da etapa complementar, para dar fôlego ao ataque e tentar aproveitar escapadas em um momento em que o Cruzeiro se concentrava em resistir com um a menos, Artur Jorge acionou o atacante Néiser Villarreal na vaga de Kaio Jorge. Para Bechler, o atleta é um ‘problema’ que o comandante português precisa resolver.

“Villarreal e Sinisterra. Sinisterra um pouco menos. O Villarreal é um problema, é um jogador desconectado, que não sente a camisa, que não sabe onde está, o que está fazendo e que não pode ter a responsabilidade de jogar com a camisa do Cruzeiro. É um clube de alta exigência, que exige performance. Repito: é normal errar gols. A questão é a displicência, é a falta de sentir e não saber onde está… Não está pronto para jogar. É um perigo para o Cruzeiro”

Marcelo Bechler, comentarista

Néiser teve a chance de dar a vitória ao Cruzeiro aos 40 minutos do segundo tempo. Na ocasião, recebeu lançamento e saiu cara a cara com o goleiro Brey, que cresceu no momento decisivo. Instantes depois, Merentiel balançou a rede para o Boca. Mas não valeu. O VAR identificou irregularidade no lance e anulou.

“Daqui a pouco tem que se pensar se é jogador para continuar jogando, tendo oportunidade, entrando em momentos decisivos, ou se tem que inventar alguma coisa o Artur Jorge, porque é um jogador que não se pode confiar. Não sei como usar outro termo educado para falar de um jogador que não se pode confiar”, reiterou Bechler.

Cruzeiro só depende de si para avançar

O empate fez com que o Cruzeiro chegasse aos oito pontos e assumisse a liderança momentânea do Grupo D. O Boca Juniors está logo atrás, com sete. Nesta quinta-feira (21/5), a Universidad Católica (agora em terceiro, também com sete) enfrentará o lanterna Barcelona-EQU, às 21h30 (de Brasília), para tentar recuperar a primeira posição.

Mesmo sem o desfecho da outra partida do grupo, uma coisa é certa: o Cruzeiro depende apenas de si para se classificar às oitavas de final da Libertadores. Na última rodada, a Raposa recebe o Barcelona no Mineirão, em Belo Horizonte, em 28 de maio (quinta-feira), às 21h30. Em casa, se vencer, avança.

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