Artur Jorge recorda decisão do Atlético que ajudou Botafogo a vencer a Libertadores com um a menos

Artur Jorge recorda decisão do Atlético que ajudou Botafogo a vencer a Libertadores com um a menos

Naquele 30 de novembro de 2024, o Atlético entrou em campo com uma linha defensiva formada por Lyanco, Battaglia e Junior Alonso. Mesmo atuando em vantagem numérica desde o início, a equipe do técnico Gabriel Milito manteve a estrutura com três zagueiros ao longo do primeiro tempo, enfrentando dificuldades para agredir e pressionar o adversário.

A leitura tática e a manutenção dos três zagueiros

Artur Jorge admitiu o baque emocional imediato ao ver o time ficar com dez jogadores logo após o apito inicial.

“Quando isso acontece, nós pensamos: ‘estamos perdidos’. Tanto trabalho, tantas lutas gigantescas para chegarmos naquele ponto, e do nada parece que tudo tinha desabado. Quando colocamos o Danilo pronto para pensarmos em uma alternativa”, relembrou o técnico.

Apesar da urgência do momento, o treinador português pontuou que a opção inicial de Milito em não abdicar dos três defensores diminuiu o peso da pressão atleticana e ajudou o Botafogo a fechar as linhas nos primeiros 45 minutos.

“Não foi (a decisão mais difícil da carreira). Obviamente ficamos a perceber o que o adversário tentaria fazer. E o adversário não abdicou dos three zagueiros, o que nos ajudou. É um ponto. Fazer 90 minutos com um a menos é quase entrar em campo sem um”, avaliou.

Hulk e Alex Telles em disputa de bola em Atlético e Botafogo - (foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA.Press)
Hulk e Alex Telles em disputa de bola em Atlético e Botafogo(foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA.Press)

Reorganização em campo e construção da vantagem

Sem queimar substituições de imediato, a comissão técnica carioca remanejou as peças já presentes em campo. Atacantes como Thiago Almada e Luiz Henrique recompuseram pelo meio e pelos lados, travando a circulação de bola do Galo, que tinha dificuldades de criação.

A entrega defensiva permitiu que o Botafogo construísse o placar em momentos cirúrgicos ainda na etapa inicial:

  • 1 a 0 (35′ do 1ºT): Na primeira investida botafoguense, a bola sobrou limpa para Luiz Henrique finalizar firme de dentro da grande área.
  • 2 a 0 (43′ do 1ºT): Pouco depois, Luiz Henrique tomou a frente de Guilherme Arana na área e foi derrubado pelo goleiro Everson. Após revisão do VAR, Facundo Tello assinalou pênalti, convertido por Alex Telles.

Mudanças no Galo, chances desperdiçadas e o golpe fatal

Ciente da necessidade de reação, Gabriel Milito mexeu na equipe no intervalo: sacou os amarelados Lyanco e Fausto Vera para as entradas de Mariano e Bernard, além de promover a entrada de Eduardo Vargas no lugar de Gustavo Scarpa, deslocando Hulk para a ponta direita.

As trocas surtiram efeito imediato. Logo aos 2 minutos da etapa final, Hulk cobrou escanteio, e Vargas cabeceou livre para diminuir o placar para 2 a 1. A alteração deu volume ofensivo ao Atlético, que passou a criar boas triangulações pela direita.

A pressão mineira se intensificou no fim, e o próprio Vargas teve duas chances claras para empatar. Aos 41 minutos, Mariano deixou o chileno cara a cara com o gol, mas ele finalizou por cima do travessão. Pouco depois, o atacante desperdiçou nova oportunidade ao tentar encobrir o goleiro Jhon.

A punição veio aos 51 minutos, quando Júnior Santos aproveitou um contra-ataque para selar a vitória por 3 a 1 e confirmar o título do Glorioso.

Alex Telles (centro) exibe medalha de campeão da Libertadores em comemoração com companheiros de Botafogo - (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Alex Telles (centro) exibe medalha de campeão da Libertadores em comemoração com companheiros de Botafogo(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Ao olhar para a conquista, Artur Jorge fez questão de exaltar o desprendimento tático de seus astros ofensivos naquela decisão:

“Conversamos com a equipe técnica sobre tentar adaptar o plano aos jogadores que tínhamos dentro de campo. E isso só se consegue com jogadores de uma fibra diferente. Jogadores de alma e coração maiores. Marlon Freitas, que era um jogador de ligação, fez ataque. Savarino teve que baixar para a posição do Marlon, de segundo volante. E os dois extremos, Almada e Luiz Henrique, que defenderam de forma impressionante.”

“Para mim, aquilo me encheu a alma do que foi feito como trabalho. Não de talento puro e duro, mas de trabalho, empenho e dedicação em prol da equipe”, concluiu o comandante.

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