Travessura que valeu a Libertadores! Há 50 anos, Joãozinho fazia gol ‘irresponsável’ pelo Cruzeiro

Travessura que valeu a Libertadores! Há 50 anos, Joãozinho fazia gol ‘irresponsável’ pelo Cruzeiro

Travessura que valeu a Libertadores! Há 50 anos, Joãozinho fazia gol ‘irresponsável’ pelo Cruzeiro
Travessura que valeu a Libertadores! Há 50 anos, Joãozinho fazia gol ‘irresponsável’ pelo Cruzeiro (Joãozinho, ídolo do Cruzeiro, em entrevista ao No Ataque no Mineirão)

Final da Copa Libertadores da América de 1976. O Cruzeiro tinha uma falta perigosa aos 43 minutos do segundo tempo do jogo contra o River Plate, da Argentina, no Estádio Nacional de Santiago, no Chile. Um dos melhores cobradores do mundo, Nelinho tentava se concentrar para o arremate em meio à insistência de Piazza em tocar para Palhinha, livre na grande área. Enquanto isso, o camisa 10 se aproximava de forma sorrateira da bola, sem que ninguém notasse a sua intenção. Era Joãozinho, ponta-esquerda Raposa e atleta mais novo da equipe titular – tinha 22 anos.

Assim que o árbitro chileno Alberto Martínez posicionou a barreira do River Plate, Joãozinho tomou a decisão mais arriscada no futebol. Sem ser um especialista no assunto, o Bailarino da Toca chutou com efeito por cima da barreira e mandou a redonda no ângulo. A bola entrou antes que houvesse tempo para qualquer bronca de Nelinho ou outro companheiro. Os atletas do River Plate – principalmente o goleiro Luis Landaburu, substituto de Ubaldo Fillol – ficaram sem reação. O gol deu ao Cruzeiro a vantagem por 3 a 2 no placar, mantida até o apito final, e o primeiro título da Libertadores.

Vídeo: o gol de Joãozinho na final da Libertadores de 1976

A história tantas vezes contada não perdeu a magia. No aniversário de 50 anos da conquista continental, nesta quinta-feira (30/7), o No Ataque entrevistou Joãozinho na beira do gramado do Mineirão, onde ele se consagrou ídolo da torcida celeste com seu repertório de dribles, assistências e gols. Aos 72 anos, ele reconhece que foi “irresponsável” por ter corrido antes de Nelinho para bater a falta. Por outro lado, a travessura o eternizou como protagonista de um dos lances mais memoráveis da competição e talvez o gol mais famoso dos 105 anos do Cruzeiro Esporte Clube.

Ninguém esperava. Foi um gol irresponsável da minha parte! Todos falam até hoje. Se fosse hoje, eu jamais ia bater aquela falta. O Nelinho era o melhor cobrador de faltas do mundo, muito preparado para aquilo. Eu cheguei sem o juiz apitar e ninguém falar com ninguém. Tive a felicidade de fazer o gol e trazer a taça. Foi a primeira Libertadores do Cruzeiro. Somente o Santos de Pelé havia sido campeão. Foi um negócio de Deus.

Joãozinho, ídolo do Cruzeiro

No vestiário do Estádio Nacional do Chile, Joãozinho ouviu poucas e boas do técnico Zezé Moreira. “Eu não estava preparado para bater. O Nelinho era o nosso cobrador oficial de falta e pênalti. Ele era fabuloso. No vestiário, estávamos todos alegres, comemorando, felizes. Aí vem o Zezé Moreira, nosso treinador, que começou a me xingar. Me chamou de irresponsável, de moleque, que eu não podia ter batido a falta. Ela falou que eu não voltaria com a delegação. Ficou um clima ruim no vestiário”.

Zezé só foi convencido a “perdoar” Joãozinho por intervenção do presidente Felício Brandi e do diretor esportivo Carmine Furletti – além, claro, dos pedidos dos colegas de time. “Vieram o Furletti e o Felício, que disseram: ‘vamos acabar de discutir isso no hotel, se o Joãozinho volta ou não com a delegação’. Chegamos lá, o Felício e o Furletti falaram com ele. Os jogadores também – Nelinho, Piazza, Zé Carlos Dirceu Lopes, o pessoal todo. Aí ele aceitou me deixar vir embora com a delegação”.

Joãozinho, ex-atacante do Cruzeiro - (foto: Arquivo/Estado de Minas)
Joãozinho, ídolo do Cruzeiro(foto: Arquivo/Estado de Minas)

Joãozinho voltou a bater falta no Cruzeiro?

A ousadia de Joãozinho lhe proporcionou outras oportunidades de cobrar faltas no Cruzeiro. Mas a prioridade era sempre para Nelinho, que se preparava exaustivamente para esses momentos. Estima-se que o ex-lateral-direito tenha contabilizado cerca de 70 tentos em tiros livres diretos de fora da área, fruto das atividades em tempo integral na Toca da Raposa.

“Só o Nelinho que treinava. Ele colocava a barreira de manhã, depois do treino, e chutava 200 vezes. À tarde, dava mais 300 chutes. Falta e pênalti eram exclusivos do Nelinho. O Zezé Moreira não deixava nenhum outro bater. A gente cavava falta e pênalti na frente para o Nelinho bater, pois sabíamos que seria gol. Cheguei nesse dia de atrevido mesmo. Não tem explicação. Felizmente, tudo deu certo. Senão eu não voltava com a delegação”.

Joãozinho

Segundo o Almanaque do Cruzeiro, Joãozinho marcou cinco gols de falta com o manto celeste – alguns, inclusive, com a presença de Nelinho em campo. De imediato, o ídolo se recordou de um lance de êxito na bola parada na goleada por 5 a 0 sobre o Bahia, no Mineirão, em 25 de outubro de 1979, pelo Campeonato Brasileiro.

Joãozinho viveu momentos especiais no Mineirão com a camisa do Cruzeiro - (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Joãozinho viveu momentos especiais no Mineirão com a camisa do Cruzeiro(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Protagonista do “melhor jogo do Mineirão”

O Cruzeiro venceu a Copa Libertadores com uma campanha de 11 vitórias, um empate e uma derrota em 13 jogos. Na estreia, bateu o Internacional por 5 a 4, em 7 de março de 1976, diante de mais de 65 mil pessoas no Mineirão. Joãozinho brilhou com dois gols, uma assistência e um pênalti sofrido no duelo considerado por muitos o melhor da história do estádio.

Havia um sentimento de revanche, já que em 1975 as equipes se enfrentaram na final do Campeonato Brasileiro, com vitória do Inter por 1 a 0. O zagueiro chileno Elías Figueroa, que marcou o gol do título do time gaúcho no Beira-Rio, viveu noite de terror em Belo Horizonte. Ele sofreu com Joãozinho e Palhinha e falhou em dois dos cinco gols cruzeirenses.

“Talvez tenha sido o meu melhor jogo, principalmente pela qualidade do Internacional, um time também que tinha sido campeão brasileiro em cima da gente. Naquele eu fiz dois gols, dei um passe para gol e sofri um pênalti aos 43 minutos do segundo tempo. A crônica até hoje fala que foi o melhor jogo que teve aqui no Mineirão”, recordou Joãozinho.

A partir daquele momento, o Cruzeiro entendeu que era possível vencer a Libertadores. Ao longo da competição, o time passou pelos paraguaios Sportivo Luqueño e Olimpia, pelo peruano Alianza Lima e pela LDU, do Equador. Na decisão, superou o River Plate em três confrontos: triunfou no Mineirão por 4 a 1, perdeu em Buenos Aires por 2 a 1 e ganhou em Santiago por 3 a 2.

Vídeo: os lances de Cruzeiro 5 x 4 Internacional

Entrevista de Joãozinho ao No Ataque

João Soares de Almeida Filho, o Joãozinho, nasceu em Belo Horizonte em 15 de fevereiro de 1954. Notabilizado pela facilidade em driblar os adversários, o ponta-esquerda aprimorou as finalizações e se tornou o nono maior artilheiro da história do Cruzeiro, com 119 gols em 485 jogos entre 1972 e 1986.

Na entrevista exclusiva ao No Ataque, o ídolo falou sobre outros assuntos, como a grave lesão que lhe tirou a chance de disputar uma Copa do Mundo e a vida pós-futebol nos Estados Unidos, onde trabalha em uma pizzaria em uma cidade repleta de imigrantes brasileiros. Fique de olho em nossos conteúdos no portal e nas redes sociais (YouTube e Instagram)!

Jogos do Cruzeiro na Libertadores de 1976

Primeira fase

  • 07/03 – Cruzeiro 5 x 4 Internacional – Mineirão, Belo Horizonte
  • 14/03 – Sportivo Luqueño 1 x 3 Cruzeiro – Defensores del Chaco, Assunção
  • 18/03 – Olimpia 2 x 2 Cruzeiro – Defensores del Chaco, Assunção
  • 24/03 – Cruzeiro 4 x 1 Sportivo Luqueño – Mineirão, Belo Horizonte
  • 28/03 – Internacional 0 x 2 Cruzeiro – Beira-Rio, Porto Alegre
  • 04/04 – Cruzeiro 4 x 1 Olimpia – Mineirão, Belo Horizonte

Triangular Semifinal

  • 09/05 – LDU 1 x 3 Cruzeiro – Atahualpa, Quito
  • 12/05 – Alianza Lima 0 x 4 Cruzeiro – El Mamute, Lima
  • 20/05 – Cruzeiro 7 x 1 Alianza Lima – Mineirão, Belo Horizonte
  • 30/05 – Cruzeiro 4 x 1 LDU – Mineirão, Belo Horizonte

Final

  • 21/07 – Cruzeiro 4 x 1 River Plate – Mineirão, Belo Horizonte
  • 28/07 – River Plate 2 x 1 Cruzeiro – Monumental de Núñez, Buenos Aires
  • 30/07 – Cruzeiro 3 x 2 River Plate – Estádio Nacional, Santiago

Participações na campanha

  • 13 jogos: Raul, Nelinho, Moraes e Eduardo
  • 12 jogos: Vanderlei, Jairzinho e Joãozinho
  • 11 jogos: Darci, Zé Carlos, Palhinha e Piazza
  • 7 jogos: Isidoro
  • 6 jogos: Roberto Batata e Ronaldo
  • 5 jogos: Ozires
  • 3 jogos: Valdo
  • 2 jogos: Silva
  • 1 jogo: Eli Mendes e Mariano

Artilheiros do Cruzeiro na Libertadores de 1976

  • 13 gols: Palhinha
  • 12 gols: Jairzinho
  • 7 gols: Joãozinho
  • 6 gols: Nelinho
  • 3 gols: Eduardo
  • 2 gols: Roberto Batata
  • 1 gol: Darci, Ronaldo e Valdo

A notícia Travessura que valeu a Libertadores! Há 50 anos, Joãozinho fazia gol ‘irresponsável’ pelo Cruzeiro foi publicada primeiro no No Ataque por Rafael Arruda

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