Cruzeiro x Vitória: as mudanças promovidas por Artur Jorge desde a estreia
Objetivo do Cruzeiro no Brasileiro
A começar pela realidade do clube. Naquele encontro, o Cruzeiro fazia menção à banda Os Paralamas do Sucesso e vivia na ‘lanterna dos afogados’. Os celestes entraram na nona rodada com apenas quatro pontos – de 24 possíveis – e amargavam a última colocação. Tite era o antigo comandante e, apesar de ter vencido o Campeonato Mineiro, deixou o cargo justamente pela falta de sucesso no Brasileiro.
A realidade na competição agora é outra, apesar de ainda render críticas da torcida – em função das eliminações na Copa do Brasil e na Copa Libertadores. A Raposa iniciou reação no Brasileiro e hoje briga por vaga direta na fase de grupos da principal competição continental em 2027: ocupa a sexta colocação, com 42 pontos. Se triunfar diante do Vitória, pode escalar uma posição, desde que o Fluminense não pontue e também seja superado no saldo de gols (6 contra 0 do Cruzeiro).
Mudança no esquema
Assim que assumiu, Artur Jorge indicou que faria mudanças táticas: “Vi os jogos do Cruzeiro e sei que não vamos jogar da mesma forma porque nossa ideia e nossa proposta (são outras), vamos adaptar (o estilo de jogo) para potencializar os jogadores que temos. Nós temos que tirar o melhor dos jogadores”.
Tite variava entre 4-4-2 e 4-2-3-1 e demonstrava preferência por ter a bola. O comandante prezava pela porcentagem e pela construção trabalhada das jogadas. Entretanto, o elenco não se adaptou. Rodava a redonda, mas pecava no repertório. Defensivamente, o grupo também deixou a desejar – não à toa, naquela altura, era o mais vazado da Série A.
Artur Jorge não chegou com o pé na porta. Mudou mais a filosofia de jogo do que o próprio esquema, já que também se apresentou adepto ao 4-2-3-1, embora tenha utilizado o 4-2-4 quando tinha a posse de bola na estreia pelo Cruzeiro – a última linha móvel, especialmente por causa do meio-campista Matheus Pereira, que dava um passo para trás para receber em espaço vazio. Na primeira escalação, mudou pouco o time, mas liderou comportamento completamente diferente.
No empate por 0 a 0 com o Santos, que culminou na despedida de Tite, a Raposa foi a campo com: Matheus Cunha; William, Fabrício Bruno, Villalba e Kaiki; Gerson e Matheus Henrique; Christian, Matheus Pereira e Arroyo; e Néiser Villarreal.
Artur Jorge trocou a lateral esquerda: Kaiki, em compromissos com a Seleção Brasileira, deu espaço ao lateral-direito Kauã Moraes, que atuou improvisado e fez boa partida (Kauã Prates, o reserva imediato, também estava com a equipe nacional de base). O centroavante Kaio Jorge, recuperado fisicamente, ganhou a vaga de Néiser Villarreal. As outras mudanças de impacto foram posicionais: o volante Christian saiu da ponta direita para a esquerda, o atacante Keny Arroyo se posicionou na direita e o volante Gerson, utilizado por Tite mais nas beiradas, compôs o meio-campo.
Mais dinâmico e objetivo nos passes, o Cruzeiro construiu o placar do que seria a primeira vitória (3 a 0) no Brasileiro de 2026 ainda no primeiro tempo, com gols de Christian, Kauã Moraes e Kaio Jorge.
Mudanças nas peças
Artur Jorge ainda faria outras alterações nas peças para chegar na base que tem hoje. O goleiro Matheus Cunha, duramente contestado, assinou por empréstimo com o Internacional, e Otávio tomou posse da posição. Alguns jogadores foram recuperados pelo treinador e se tornaram reforços caseiros: Jonathan Jesus (ganhou a concorrência de Villalba), Fagner (em disputa acirrada com William) e Arroyo.
Ao longo da temporada, o comandante português perdeu peças e não necessariamente obteve o mesmo sucesso nas reposições. Vendido para o Como-ITA, Kaiki foi substituído por Gabriel Rojas, que ainda não se consagrou – não à toa, Villalba atuou várias vezes improvisado na posição, e o Cruzeiro contratou recentemente Matías Viña. Christian assinou com o Krasnodar-RUS e deixou lacuna importante na ponta esquerda – Sinisterra, que seria o dono da posição, machucou-se pouco depois, e Wesley, contratado recentemente, não se firmou.
Movimentações do Cruzeiro no mercado com Artur Jorge
- Contratações: Gabriel Rojas, Gabriel Pec, Zé Lucas, Wesley, Lucho Rodríguez e Matías Viña
- Saídas: Kaiki, Christian, Kauã Prates, Bruno Alves*, Walace, Japa, Matheus Cunha, Janderson, Gui Meira*, Murilo Rhikman, Ruan Índio*, Chico da Costa, Pablo Neri*, Pedrão, Ian Lucas**, Lautaro Díaz** e Vitinho**.
*Não estrearam pelo time principal
** Já estavam em outros clubes antes da nova transferência
Cruzeiro x Vitória
A torcida celeste se animou de imediato com Artur Jorge, e a reação no Brasileiro explica o motivo. Contudo, pouco depois, ao viver grandes desafios e cair na Copa Libertadores e na Copa do Brasil, o treinador se tornou alvo de algumas críticas – nada que compare, por exemplo, com a desaprovação de Tite.
Sem muitos compromissos na agenda, Artur Jorge tem a missão de recolocar o Cruzeiro na Libertadores. Para isso, precisa encerrar a campanha no Brasileiro entre os cinco primeiros – o G5 ainda pode virar G9.
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