‘Soluções’ do Cruzeiro têm números discretos e desafio até o fim do ano
Juntos, os atacantes acumulam 24 partidas, um gol e duas assistências com a camisa celeste. Wesley marcou uma vez, Lucho contribuiu com dois passes para gol e João Costa ainda não participou diretamente de nenhum tento.
A produção discreta contrasta com a importância atribuída às contratações no momento em que chegaram. O Cruzeiro buscava alternativas capazes de aumentar a profundidade do elenco e oferecer novas possibilidades ao técnico Artur Jorge, sobretudo em um período marcado por lesões e pela disputa simultânea do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil e da Libertadores.
Agora, com as eliminações nas competições de mata-mata, restam apenas dez jogos do Brasileiro até o encerramento da temporada. É nesse intervalo que os três terão a oportunidade de mostrar que podem assumir um papel mais relevante em 2027.
Embora os empréstimos tenham duração de uma temporada, com término previsto para o próximo ano, o desempenho nesta reta final tende a pesar nas avaliações sobre a permanência dos atletas.
Três reforços, poucas participações em gols
Wesley
Entre os contratados, Wesley é quem mais entrou em campo. Revelado pelo Corinthians, o atacante disputou dez partidas pelo Cruzeiro e marcou um gol, na vitória por 3 a 1 sobre o Mirassol, em 9 de agosto, quando fez sua estreia.
O gol no primeito jogo alimentou a expectativa de que o jogador pudesse oferecer velocidade, dribles e maior capacidade de desequilíbrio pelos lados. Desde então, porém, não voltou a participar diretamente de um gol.
Lucho Rodríguez
Lucho Rodríguez, por sua vez, tem os melhores números de participação ofensiva do trio. Em cinco partidas, o uruguaio distribuiu duas assistências: uma para Wanderson, diante do Corinthians, e outra para Matheus Pereira, contra o Santos.
O aproveitamento estatístico é superior ao dos companheiros, mas a amostra ainda é pequena. O atacante precisa de maior sequência para demonstrar se consegue transformar as boas intervenções em uma contribuição regular.
João Costa
João Costa completa a relação. Em nove jogos, o jogador ainda não marcou nem deu assistências. A ausência de participações diretas em gols, contudo, não significa necessariamente que não tenha tido as mesmas oportunidades dos companheiros: o jogador apresenta características como velocidade e força física mas, até então, não conseguiu ser efetivo.
O denominador comum é que nenhum dos três se consolidou como uma solução recorrente para o setor ofensivo.
Histórico milionário aumenta expectativa
O currículo dos reforços ajuda a explicar por que as contratações despertaram interesse. Lucho Rodríguez, de 23 anos, despontou como um dos destaques do Uruguai campeão mundial sub-20 em 2023. No ano seguinte, deixou o Liverpool, de Montevidéu, rumo ao Bahia, em uma negociação de aproximadamente R$ 65 milhões.
Em 2025, foi transferido para o Neom SC, da Arábia Saudita, por cerca de R$ 140 milhões. As duas operações movimentaram, juntas, aproximadamente R$ 205 milhões.
O Cruzeiro conseguiu sua contratação por empréstimo gratuito de uma temporada, mas estabeleceu uma opção de compra de US$ 15 milhões, aproximadamente R$ 76 milhões.
Wesley também chegou ao futebol internacional depois de uma negociação expressiva. Revelado pelo Corinthians, ganhou espaço na equipe profissional sob o comando de Vanderlei Luxemburgo e foi vendido ao Al-Nassr, da Arábia Saudita, por cerca de R$ 110 milhões, em agosto de 2024.
Posteriormente, passou pela Real Sociedad, da Espanha, por empréstimo, antes de chegar ao Cruzeiro, igualmente por cessão temporária e com opção de compra ao fim do vínculo.
João Costa, por sua vez, iniciou a trajetória nas categorias de base do Corinthians e seguiu para a Roma, da Itália. Em 2024, foi negociado com o Al-Ettifaq, da Arábia Saudita, por aproximadamente R$ 56 milhões.
Para contratá-lo, o Cruzeiro concordou em pagar US$ 500 mil, cerca de R$ 2,5 milhões, pelo empréstimo. A opção de compra foi fixada em US$ 5 milhões, aproximadamente R$ 25 milhões.
Somadas, as transferências anteriores dos três movimentaram centenas de milhões de reais. O histórico, evidentemente, não garante rendimento esportivo, mas ajuda a dimensionar a expectativa que acompanhou a chegada do trio à Toca da Raposa.
Da necessidade de reforços à disputa por espaço
A contratação dos atacantes ocorreu em um momento de necessidade. As lesões de Gabriel Pec e Sinisterra reduziram as opções disponíveis para o setor ofensivo. Ao mesmo tempo, o Cruzeiro precisava administrar o desgaste de uma sequência de compromissos decisivos em três competições.
Lucho, Wesley e João Costa chegaram, portanto, com uma missão imediata: ampliar as possibilidades de Artur Jorge e oferecer alternativas para diferentes situações de jogo.
O cenário mudou nas semanas seguintes. Com as eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil, o calendário ficou menos congestionado. O Cruzeiro passou a ter apenas o Brasileirão pela frente, com maior intervalo entre as partidas e mais tempo para treinamentos.
Essa mudança traz duas consequências para os reforços. De um lado, reduz a necessidade de rodízio provocada pelo acúmulo de jogos. De outro, amplia o período de preparação e adaptação ao trabalho da comissão técnica.
A disputa por minutos, portanto, passa a depender menos da urgência do calendário e mais da capacidade de cada jogador de conquistar espaço pelas próprias atuações.
Dez jogos para mudar a avaliação
O Cruzeiro ainda disputará dez partidas até o fim do Campeonato Brasileiro. O período representa a última oportunidade de Lucho Rodríguez, Wesley e João Costa deixarem uma impressão mais consistente antes da virada do ano.
Para Wesley, o desafio é dar continuidade ao início promissor e voltar a ser decisivo. Para Lucho, transformar as duas assistências em cinco jogos em uma contribuição mais frequente. Para João Costa, conseguir sua primeira participação direta em gol e demonstrar capacidade de oferecer novas soluções ao ataque.
Há também uma questão financeira envolvida. As opções de compra de Lucho e João Costa, por exemplo, alcançam aproximadamente R$ 76 milhões e R$ 25 milhões, respectivamente. São valores expressivos, que exigiriam uma avaliação criteriosa antes de qualquer investimento definitivo.
Isso não significa que os três precisem decidir seus futuros ainda em 2026. Os contratos de empréstimo seguem para o próximo ano, e as decisões poderão considerar um período maior de observação.
Mas a reta final do Brasileiro oferece uma referência importante. O clube terá a oportunidade de avaliar como os reforços respondem a um cenário menos atribulado, com mais treinamentos e um objetivo esportivo definido: o de alcançar a vaga na Libertadores.
Contratados como alternativas para solucionar problemas imediatos do ataque, Lucho Rodríguez, Wesley e João Costa chegam aos últimos dez jogos do ano diante de uma tarefa diferente: demonstrar que também podem fazer parte das soluções do Cruzeiro para a próxima temporada.
A notícia ‘Soluções’ do Cruzeiro têm números discretos e desafio até o fim do ano foi publicada primeiro no No Ataque por Vitor de Araújo


