Bets: 7 dos 20 times da Série A não têm vínculo com casas de apostas
Conforme levantamento de No Ataque, as únicas equipes da elite nacional que não são patrocinadas por casas de apostas são Athletico-PR, Bahia, Bragantino, Coritiba, Grêmio, Internacional e Mirassol. No entanto, três delas se juntaram aos outros 12 times em um manifesto contra o veto às casas de apostas e a favor da manutenção do mercado regulado de “bets”.
Bragantino, Grêmio e Mirassol endossaram o discurso de Flamengo, Palmeiras, Fluminense, Cruzeiro, Atlético, Santos, Botafogo, São Paulo, Corinthians, Vasco, Vitória e Chapecoense. De acordo com os clubes, a condenação das bets significaria “o fim do futebol brasileiro”.
A nota emitida manifesta preocuparação com contratos já firmados e alega que tal medida “reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país”. Outro argumento utilizado é o de que a proibição das bets não cessaria as apostas, apenas significaria “golpe fatal para o futebol brasileiro”.
A controvérsia do Bahia
Em janeiro de 2025, o Bahia anunciou a Viva Sorte Bet como patrocinadora máster. A casa de apostas foi lançada naquele mesmo mês pela Viva Sorte, empresa do mercado de capitalização.
Em janeiro deste ano, o Tricolor de Aço anunciou a rescisão de contrato com a Viva Sorte Bet. No entanto, a substituta foi a criadora da casa de apostas, a Viva Sorte Capitalização, que passou ser a principal patrocinadora do clube.
Os valores milionários pagos pelas bets
As casas de apostas se tornaram parte do futebol brasileiro não somente pelo patrocínio direto aos clubes. A Betano, por exemplo, adquiriu os naming rights da Copa do Brasil, que desde 2023 é oficialmente chamada de Copa Betano do Brasil. O mesmo ocorre com o Campeonato Brasileiro, que desde 2024 se chama Brasileirão Betano.
Mas a presença nos clubes é o que chama mais a atenção, justamente pelos valores pagos. Em 2025, o Atlético iniciou o contrato de patrocínio com a H2Bet, que tem validade até o fim de 2027.
Conforme detalhado pelo próprio clube, o investimento fixo total é de R$ 180 milhões, ou seja, R$ 60 milhões por temporada. O vínculo prevê bônus por metas atingidas, e o valor pode ultrapassar R$ 200 milhões.
Cruzeiro e Betnacional, parceiros desde o início desde ano, não detalharam o acordo. Mas conforme apurado pelo NA, o valor por temporada está entre 50 e R$ 60 milhões, e também pode ser incrementado a depender de metas, como conquista de título e posições em campeonatos. O vínculo entre as empresas prevê parceria até dezembro de 2027.
Em agosto do ano passado, o Flamengo firmou com a Betano um acordo recorde no país. O contrato de patrocínio, firmado até 2028, prevê pagamento de R$ 220 milhões fixos por ano ao rubro-negro – metas podem fazer o valor subir para R$ 268,5 milhões.
Os patrocinadores másters dos times da Série A
- Athletico-PR — sem patrocinador máster
- Atlético-MG — H2Bet (casa de aposta)
- Bahia — Viva Sorte (títulos de capitalização)
- Botafogo — VBet (casa de aposta)
- Bragantino — Red Bull (bebidas energéticas)
- Chapecoense — Zeroum (casa de aposta)
- Corinthians — Esporte da Sorte (casa de aposta)
- Coritiba — sem patrocinador máster
- Cruzeiro — Betnacional (casa de aposta)
- Flamengo — Betano (casa de aposta)
- Fluminense — Superbet (casa de aposta)
- Grêmio — sem patrocinador máster
- Internacional — sem patrocinador máster
- Mirassol — Bebidas Poty (refrigerantes)
- Palmeiras — Sportingbet (casa de aposta)
- Remo — Vai de Bet (casa de aposta)
- Santos — Novibet (casa de aposta)
- São Paulo — Superbet (casa de aposta)
- Vasco — Sportingbet (casa de aposta)
- Vitória — Bet7k (casa de aposta)
A discussão vai além do dinheiro
O posicionamento dos clubes intensificou debate existente desde o momento em que casas de aposta dominaram o mercado futebolístico. A ala que vê com bons olhos a MP do governo federal manifesta preocupação com questões sociais causadas pela ludopatia, transtorno de saúde mental caracterizado pela perda de controle sobre o comportamento de apostar.
Segundo o Ministério da Fazenda, 40 milhões de pessoas ativas estão cadastradas no Sistema de Gestão de Apostas (Sigap). Dessas, quatro milhões estão impedidas de apostar por um dos três motivos a seguir: renegociação de dívidas, beneficiários de programas sociais e pedidos de autoexclusão.
De acordo com a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, bets provocaram saída líquida (diferença entre o apostado e a premiação) de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras no ano passado.
É correto dizer, portanto, que a exposição de marcas de aposta em diferentes âmbitos, inclusive no futebol, alavancou o desejo do brasileiro de se aventurar em tais sites. Com o passar do tempo, o incentivo saiu do controle. Muitas pessoas enxergam o mercado como possibilidade de complementar renda. Outras não conseguem parar de destinar cifras a sites online.
Resultado? Menos dinheiro para outros gastos, aumento de dívidas, comprometimento de renda e necessidade de auxílio médico. Segundo o Ministério da Saúde, nos últimos cinco meses foram registrados crescimento de quase 140% na busca por serviços de saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS) por problemas de dependência de jogos online.
A notícia Bets: 7 dos 20 times da Série A não têm vínculo com casas de apostas foi publicada primeiro no No Ataque por Adriano Oliveira


