Time da farmácia? A curiosa origem do Tirol, adversário do América na Copa do Brasil

Time da farmácia? A curiosa origem do Tirol, adversário do América na Copa do Brasil

No Independência, às 21h30, o Coelho mede forças com o Centro de Formação de Atletas do Tirol, uma agremiação de Fortaleza que emergiu do balcão de uma das maiores redes farmacêuticas do país para desafiar a hierarquia do futebol profissional.

O embate, válido pela segunda fase da competição, possui caráter decisivo: é jogo único. Em caso de igualdade no placar durante os 90 minutos, a vaga será definida nas cobranças de pênaltis.

Enquanto o América estreia diretamente nesta etapa da Copa do Brasil, o Tirol – também conhecido como Time da Coruja – já provou seu valor na primeira fase ao eliminar um xará do Coelho: o América de Propriá-SE. Fora de casa, ganhou nos pênaltis (5 a 3) após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar.

Jogadores do Tirol comemoram vitória - (foto: Lucas Emanuel/FCF)
Jogadores do Tirol comemoram vitória(foto: Lucas Emanuel/FCF)

Da farmácia ao gramado: a gênese de uma SAF

A história do Tirol está intrinsecamente ligada à rede de farmácias Pague Menos. O que começou em 2011 como Grêmio Recreativo Pague Menos, voltado apenas para o lazer dos colaboradores da gigante varejista, que fatura cifras bilionárias anualmente, rapidamente transbordou as fronteiras corporativas. Sob o comando de Francisco Deusmar Queirós e Ubiranilson Alves, fundadores da rede, o projeto ganhou contornos sociais.

Para saber mais sobre a história inusitada do Tirol, o No Ataque conversou com o jornalista esportivo Brenno Rebouças, do Sistema Verdes Mares, conglomerado de mídia do Ceará. Ele recorda como a transição do clube ocorreu de forma orgânica.

“O Tirol realmente é originário do time que tinha começado com funcionários de farmácia. O Sávyo Santos, que hoje é o diretor administrativo, achou interessante e fez um projeto social no Pirambu, uma comunidade mais carente que temos em Fortaleza. Eles começaram só com a base, jogavam só campeonatos de base, até que decidiram ir para o profissional”, recorda.

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O interesse do empresariado transformou a iniciativa em uma estrutura de excelência. “O Deusmar Queirós, que é o dono, era quem mantinha o clube, se interessou pelo projeto. Alguém o convenceu de que era bom e foi para o profissional. Ele reformou todo o espaço que tinha lá; eles têm hoje uma estrutura que clube pequeno do porte do Tirol não tem”, destaca Brenno.

O local conta com alojamentos, centros médico, odontológico e psicológico, além de uma biblioteca para os atletas.

Em 2022, o Tirol registrou-se como a primeira Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Ceará. O modelo de negócio é claro: investir na formação de talentos para alimentar o mercado e sustentar o braço social no Pirambu.

“A ideia é formar jogadores, colocar no profissional para revelar, colocar na vitrine, vender e recuperar parte do investimento. Dessa forma, continuar com o projeto social, porque apesar do time ter se tornado profissional, eles continuam com o projeto social, com a garotada do Pirambu”

Brenno Rebouças, jornalista esportivo do Sistema Verdes Mares

Rebaixamento em 2026

Apesar do lastro financeiro e da estrutura invejável, o clube vive um momento de contrastes. Embora tenha conquistado o acesso à elite estadual como campeão da Série B em 2024 e garantido vagas nacionais – como na Copa do Brasil – pelo bom desempenho em 2025, a temporada deste ano trouxe um revés amargo: o rebaixamento no Campeonato Cearense.

“O rebaixamento não era esperado. Eles debutaram na competição ano passado, foram até bem, mas neste ano não conseguiram fazer uma boa competição”, observou Brenno.

A campanha do Tirol no Campeonato Cearense teve apenas uma vitória, um empate e cinco derrotas em sete jogos (incluindo os compromissos da primeira fase e do quadrangular do rebaixamento). A equipe, inclusive, ficou no mesmo grupo que o Ceará – adversário do América na Série B deste ano. O Tirol foi goleado em casa pelo Vozão, por 4 a 1.

Expectativa contra o América

Mesmo com a queda local, o Tirol mantém o foco no cenário brasileiro, onde disputará a Série D ainda este ano.

Para o duelo contra o América, a postura é de humildade e respeito ao abismo que separa as realidades orçamentárias. Sávyo Paula Santos, diretor administrativo do clube, sintetizou ao No Ataque o sentimento cearense para o confronto.

“A minha expectativa para o jogo é deixar uma boa impressão! A diferença entre as equipes é muito grande!”.

Sávyo Paula Santos, diretor do Tirol

‘Tem dono, mas não muito torcedor’

Diferentemente das agremiações centenárias do estado, o Tirol trilha o caminho para consolidar uma base de torcedores. A identidade do clube está mais ligada ao pertencimento local e ao investimento privado do que ao clamor das arquibancadas.

“O Grupo Pague Menos é o grande mecenas, digamos, do time. Realmente é um time que tem dono, e eles têm muito envolvimento com a comunidade deles, mas no geral não tem torcida aqui no estado”, salienta Brenno.

O jornalista traçou um paralelo com outros clubes-empresa da região. “No geral é uma equipe pela qual a galera tem até simpatia, mas não é muito diferente, por exemplo, do Atlético Cearense, que também tem dono, mas não tem muito torcedor; Floresta, mesma coisa; é muito parecido”.

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América x Tirol

O vencedor de América e Tirol terá como próximo desafio o Barra-SC, que já aguarda o adversário da terceira fase.

Para o torcedor que não puder comparecer ao Horto na noite desta quarta-feira, o duelo terá transmissão ao vivo pelos canais SporTV e Premiere.

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A notícia Time da farmácia? A curiosa origem do Tirol, adversário do América na Copa do Brasil foi publicada primeiro no No Ataque por Ailton Bruno do Vale

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