Tite indica o que faria diferente e abre o coração sobre trabalho no Cruzeiro: ‘Não terminou’
Relação com a direção
O Cruzeiro buscou Tite no mercado em dezembro do ano passado, logo após a saída de Leonardo Jardim, que pediu para deixar o cargo mesmo diante de um trabalho favorável. Conforme relatado pelo brasileiro, o contato com a direção foi rápido – um dos itens que entra para a lista do que poderia ter ocorrido de outra forma.
“Pedrinho, dono do Cruzeiro, nós não nos conhecíamos muito, né? Faltou, sim, um tempo maior de nos conhecermos, as características, perfil, ideias. Isso faltou. Para os dois, para que tivesse uma situação melhor”
Tite, treinador, ao Abre Aspas
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‘Trabalho que não terminou’
Tite iniciou os trabalhos na Toca da Raposa 2, em Belo Horizonte, em janeiro, na pré-temporada. O calendário estreito fez com que direção e comissão dividissem o elenco em dois grupos. O primeiro a se reapresentar vestiu a camisa celeste nos primeiros jogos do Mineiro. O segundo, composto pelos principais atletas, trabalhou por mais tempo antes de entrar em campo. Depois, houve mesclas e, consequentemente, demora no entrosamento.
Na época, a intenção era preparar melhor os jogadores titulares. Contudo, os resultados acabaram com a paciência de grande parte da torcida, que passou a questionar o método e o trabalho de Tite. Em certo momento, o Cruzeiro corria risco de ser eliminado na fase de grupos do Estadual. Logo superou o perigo, classificou-se à final e conquistou o caneco diante do Atlético, o maior rival.
A taça contribuiu para que a diretoria desse mais respaldo a Tite – à época, conforme relatado por Pedro Lourenço em algumas ocasiões, a demissão não estava em pauta. O desempenho no Campeonato Brasileiro fez com que a diretoria alterasse a rota. Foram três empates e três derrotas até a queda de Tite. Em campo, um time que, apesar de não fazer jogos completamente ruins, não encontrava soluções nem era capaz de vencer.
Em função do início ruim na Série A, torcedores passaram a contestar o planejamento de priorizar o Estadual. Já com o título nas mãos, queriam mais dedicação à Primeira Divisão, mesmo que custasse a taça do Mineiro. Tite deixou o clube na lanterna do Brasileiro. Foram oito vitórias, três empates e seis derrotas, o que configura aproveitamento de 52,9%.
O comandante relatou acreditar que teria mais tempo para desenvolver o trabalho ‘que não terminou’ no Cruzeiro. Pelo menos um ano, período do contrato. Também explicou que a busca pelo Estadual era o principal objetivo do clube. Afinal, o título não era erguido desde 2019 – até então, a gestão Pedro Lourenço também não havia papado nenhuma taça.
“Sentia, sim, que iria permanecer no Cruzeiro para fazer o trabalho a médio e a longo prazo, o ano todo. Foi proposto até dois anos de contrato, eu disse: “não, um ano só e depois avalia”. Para que tenha esse período todo de trabalho, para fazer um trabalho que não é bom nem ruim, é um trabalho que não terminou. Porém, com parcelas importantes. O primeiro objetivo quando nós sentamos, nas poucas vezes que conversamos antes, foi: o objetivo do Cruzeiro? Ser campeão mineiro, uma retomada após seis anos”
Tite, treinador, ao Abre Aspas
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O que faria de diferente?
Agora distante da pressão, Tite avalia que o planejamento em relação aos atletas titulares ‘poderia ter sido melhor’. Ainda assim, não deixaria de dar oportunidade aos jovens da base, garantiu.
“E aí um planejamento que ele poderia ter sido melhor. Mas, iniciando sem os principais atletas, demorou para engrenar. O que eu faria diferente? Eu traria os atletas da equipe base anteriormente. Colocar as Crias da Toca para jogar, como aconteceu, para dar a elas (sequência). Porém, os resultados que não aconteceram nos pressionaram”
Tite, treinador, ao Abre Aspas
“Tanto é que foi nos oito primeiros jogos. Nós jogamos os três primeiros dando um tempo para que os atletas se condicionassem fisicamente. Depois teve uma integração. Nesse meio tempo, fizemos oito jogos e perdemos cinco. Nesses cinco está a perda do clássico, que é muito importante, e o Atlético foi melhor e mereceu. E o início do Campeonato Brasileiro, em que a gente perdeu para o Botafogo com o placar dilatado. Isso gerou uma intranquilidade”, continuou.
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‘Aí foi a despedida’
Tite relatou a êxtase da conquista do Mineiro: “Depois disso, falando em resultados desportivos, aí sim, mais ajustado, mais treinado, nós fizemos nove jogos, fomos campeões mineiros. Não só campeões, mas ganhando o clássico. E aí foi de uma forma muito emblemática, incisiva. Isso chancelou, e fizemos uma sequência de cinco ou seis jogos vencendo. Fomos campeões mineiros numa situação de ver o quão alegre uma torcida toda… Nunca tinha tido assim, com as famílias comemorando dentro do campo, e as famílias todas dos atletas estando ali, muito próximas do torcedor, com as famílias do Pedrinho presente, do Junio”.
A emoção durou pouco: “Então, nesses nove jogos nós fomos perder um jogo, contra o Flamengo. Porém… E aí eu vou falar a frase que a minha filha disse: “Pai, tu vives numa atividade profissional onde essa inconstância é uma marca”. E aí foi a despedida”.
Elogios ao ambiente
Em mais de uma oportunidade, Tite elogiou o ambiente no Cruzeiro: “O lado interno, das pessoas, dos funcionários, ele é muito agradável. Ele é muito bom de trabalho. Tu participas, tu divides as alegrias. E quando eu vi aquilo, as pessoas todas comemorando, pai de um moleque, pai de outro, familiares, toda a família do dono, do presidente junto na comemoração, e o quanto eles estavam felizes. Eu entendi, aquele primeiro objetivo que a gente queria foi conquistado. Só não deu tempo de recuperar, mas aí é outra história”.
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