Veto a bets? Saiba quanto Atlético e Cruzeiro faturam com casas de apostas
Atlético – H2Bet
O Atlético iniciou, em janeiro de 2025, contrato de patrocínio com a H2Bet – até o fim de 2027. Conforme detalhado pelo próprio clube, o investimento fixo total é de R$ 180 milhões, ou seja, R$ 60 milhões por temporada. O vínculo prevê bônus por metas atingidas, e o valor pode ultrapassar R$ 200 milhões.
Cruzeiro – Betnacional
O Cruzeiro, por sua vez, fechou com a Betfair em janeiro de 2023. Em novembro de 2024, as partes renovaram o vínculo até o fim de 2026. Posteriormente, em dezembro de 2025, a Raposa anunciou que a partir da temporada seguinte carregaria no espaço mais nobre da camisa a marca da Betnacional, também pertencente ao grupo Flutter.
Cruzeiro e Betnacional não detalharam o acordo. Conforme apurado pelo No Ataque, o valor por temporada está entre 50 e R$ 60 milhões, e também pode ser incrementado a depender de metas, como conquista de título e posições em campeonatos. O vínculo entre as empresas prevê parceria até dezembro de 2027.
Posicionamento dos clubes
Quando as notícias acerca da MP foram publicadas, vários clubes da Série A do Campeonato Brasileiro se uniram e se manifestaram contra o veto a bets e a favor da manutenção do mercado regulado de apostas esportivas – Flamengo, Palmeiras, Fluminense, Cruzeiro, Atlético, Santos, Botafogo, São Paulo, Corinthians, Vasco, Bragantino, Mirassol, Vitória, Grêmio e Chapecoense.
De acordo com os clubes, a condenação das bets significaria “o fim do futebol brasileiro”. A nota emitida manifesta preocuparação com contratos já firmados e alega que tal medida “reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país”. Outro argumento utilizado é o de que a proibição das bets não cessaria as apostas, apenas significaria “golpe fatal para o futebol brasileiro”.
Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Internacional e Remo, clubes que não são patrocinados por empresas de bets, não aderiram à campanha.
A discussão vai além do dinheiro
O posicionamento dos clubes intensificou debate existente desde o momento em que casas de aposta dominaram o mercado futebolístico. A ala que vê com bons olhos a MP do governo federal manifesta preocupação com questões sociais causadas pela ludopatia, transtorno de saúde mental caracterizado pela perda de controle sobre o comportamento de apostar.
Segundo o Ministério da Fazenda, 40 milhões de pessoas ativas estão cadastradas no Sistema de Gestão de Apostas (Sigap). Dessas, quatro milhões estão impedidas de apostar por um dos três motivos a seguir: renegociação de dívidas, beneficiários de programas sociais e pedidos de autoexclusão.
De acordo com a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, bets provocaram saída líquida (diferença entre o apostado e a premiação) de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras no ano passado.
É correto dizer, portanto, que a exposição de marcas de aposta em diferentes âmbitos, inclusive no futebol, alavancou o desejo do brasileiro de se aventurar em tais sites. Com o passar do tempo, o incentivo saiu do controle. Muitas pessoas enxergam o mercado como possibilidade de complementar renda. Outras não conseguem parar de destinar cifras a sites online.
Resultado? Menos dinheiro para outros gastos, aumento de dívidas, comprometimento de renda e necessidade de auxílio médico. Segundo o Ministério da Saúde, nos últimos cinco meses foram registrados crescimento de quase 140% na busca por serviços de saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS) por problemas de dependência de jogos online.
A notícia Veto a bets? Saiba quanto Atlético e Cruzeiro faturam com casas de apostas foi publicada primeiro no No Ataque por Sofia Cunha


