Gigante da Série A não cumpre metas e tem déficit de R$ 278 milhões
A deterioração das contas acelerou no último mês: em relação ao balancete de junho, quando o prejuízo acumulado era de R$ 246 milhões, o saldo negativo aumentou R$ 32,6 milhões em apenas 30 dias.
Meta zerada em negociações de jogadores
O principal fator para a disparada do déficit foi o desempenho nulo na arrecadação com transferências. O planejamento financeiro da diretoria previa arrecadar R$ 150 milhões em vendas e empréstimos de direitos econômicos até julho, mas nenhuma negociação do gênero foi contabilizada no período.
Segundo a diretoria, a opção por segurar atletas buscou priorizar a competitividade do elenco na Copa Libertadores — torneio do qual o Alvinegro foi eliminado nas quartas de final, em 16 de setembro — e focar na valorização dos ativos.
Apesar do resultado, o executivo de futebol Marcelo Paz afirmou em coletiva que o clube ainda projeta realizar negociações expressivas até o encerramento da temporada, relembrando a recusa de uma oferta pelo volante André:
“O ano ainda não acabou, podemos ter uma venda até dezembro. O Corinthians tinha uma venda encaminhada do André e houve uma decisão do presidente de não vender. Aquela venda poderia nos ajudar nesse fluxo de caixa. Faz parte, o futuro vai dizer se foi bom ou não. De repente, o André pode ser vendido futuramente por um valor maior”, explicou o dirigente.
Receitas operacionais e explosão de despesas
Mesmo sem transferências de atletas, a receita operacional bruta atingiu R$ 472 milhões de janeiro a julho, superando a projeção inicial de R$ 403 milhões. As principais fontes de arrecadação foram:
- Patrocínios e comerciais: R$ 167,5 milhões;
- Direitos de transmissão (TV): R$ 138,3 milhões;
- Exploração de marca e outras atividades: R$ 88,3 milhões;
- Arrecadação com bilheteria e jogos: R$ 54 milhões.
No entanto, o faturamento extra foi absorvido pelo crescimento contínuo das despesas operacionais e financeiras, que somaram R$ 171 milhões no período. O prejuízo acumulado atual (R$ 278,7 milhões) é mais que o dobro do registrado nos sete primeiros meses de 2025, quando o déficit havia sido de R$ 103,1 milhões.
Quadro geral do endividamento
O balancete do mês de julho expõe a fragilidade estrutural do patrimônio corintiano:
- Ativo total: R$ 2,3 bilhões;
- Patrimônio líquido: Negativo em R$ 1,05 bilhão;
- Obrigações de curto prazo: R$ 1,14 bilhão;
- Obrigações de longo prazo: R$ 2,21 bilhões
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