‘Toma lá, dá cá’: há um mês e meio, Cruzeiro marca e sofre gols em todas as partidas

‘Toma lá, dá cá’: há um mês e meio, Cruzeiro marca e sofre gols em todas as partidas

A sequência começou em 9 de agosto, na vitória por 3 a 1 sobre o Mirassol, e chegou ao 11º capítulo nesse domingo (20/9), quando o Cruzeiro venceu o Vitória por 3 a 1, no Barradão. Nesse intervalo, foram seis vitórias, dois empates e três derrotas, em que a Raposa não saiu de campo sem marcar e sem sofrer gol.

A última vez em que isso aconteceu foi há pouco mais de um mês e meio, em 5 de agosto, na vitória por 2 a 0 sobre a Chapecoense, no Mineirão. Na ocasião, Matheus Henrique e Kaio Jorge balançaram as redes, enquanto o time celeste não foi vazado.

Desde então, o roteiro passou a ser praticamente o mesmo: o Cruzeiro encontra o gol, mas também oferece ao adversário a possibilidade de responder.

Jogadores do Cruzeiro antes de jogo pelo Brasileiro - (foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)
Jogadores do Cruzeiro antes de jogo pelo Brasileiro(foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Sequência de 11 jogos

O recorte começou com o 3 a 1 sobre o Mirassol e atravessou três competições. Veja a sequência:

Os últimos 11 jogos do Cruzeiro

  • 09/08 — Brasileirão: Cruzeiro 3 x 1 Mirassol
  • 12/08 — Libertadores: Cruzeiro 1 x 1 Flamengo
  • 16/08 — Brasileirão: Corinthians 1 x 2 Cruzeiro
  • 19/08 — Libertadores: Flamengo 2 x 1 Cruzeiro
  • 22/08 — Brasileirão: Cruzeiro 2 x 1 Flamengo
  • 25/08 — Copa do Brasil: Cruzeiro 1 x 1 Atlético
  • 29/08 — Brasileirão: Vasco 3 x 1 Cruzeiro
  • 01/09 — Copa do Brasil: Atlético 2 x 1 Cruzeiro
  • 06/09 — Brasileirão: Cruzeiro 3 x 1 Athletico-PR
  • 12/09 — Brasileirão: Santos 2 x 1 Cruzeiro
  • 20/09 — Brasileirão: Vitória 1 x 3 Cruzeiro

Foram 16 gols marcados e 16 sofridos. Há um detalhe que chama atenção no período: os únicos empates foram justamente em casa, nos jogos de ida dos mata-matas.

O Cruzeiro empatou por 1 a 1 com Flamengo e Atlético, ambos no Mineirão, tendo saído na frente no placar nas duas oportunidades.

Contra o Flamengo, ao não construir uma vantagem, o clube celeste sucumbiu no jogo de volta, no Maracanã, ao perder por 2 a 1, e foi eliminado do torneio continental.

No clássico diante do Atlético, roteiro parecido: o empate no jogo de ida antecedeu a derrota por 2 a 1 na volta, que tirou a equipe da Copa do Brasil.

Lucas Villalba expulso na derrota do Cruzeiro por 2 a 1 para o Atlético na Arena MRV - (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
Comissão da Seleção esteve presente no Atlético x Cruzeiro na Arena MRV(foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)

Virada contra, virada a favor

O período também apresentou roteiros diretamente opostos em apenas duas oportunidades. Na Copa do Brasil, o Cruzeiro sofreu uma virada do Atlético na partida de volta das quartas de final. Depois de sair na frente, o time celeste acabou derrotado por 2 a 1 e eliminado da competição.

No último compromisso pelo Brasileiro, entretanto, aconteceu o movimento contrário. O Cruzeiro saiu atrás do Vitória, mas reagiu e virou para 3 a 1, no Barradão.

Matheus Pereira comemora 3º gol do Cruzeiro sobre o Vitória - (foto: Celo Gil/Cruzeiro)
Matheus Pereira comemora 3º gol do Cruzeiro sobre o Vitória(foto: Celo Gil/Cruzeiro)

Apesar das eliminações, ataque produz

Se a defesa virou uma preocupação, o ataque oferece motivos para o Cruzeiro manter confiança.

Matheus Pereira vive a temporada mais goleadora da carreira, com 13 gols e oito assistências. Kaio Jorge, por sua vez, soma 17 gols em 2026 e tem sido importante sobretudo nas cobranças de pênalti: converteu diante de Athletico-PR, Atlético e Chapecoense.

Outro nome em crescimento é Keny Arroyo. O equatoriano tem sete gols e cinco assistências na temporada e participou diretamente de três gols nos últimos cinco jogos.

Os números ofensivos, porém, não foram suficientes para evitar as eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil. Nos dois torneios, o Cruzeiro teve momentos de boa produção que, no entanto, acabaram não sendo decisivos nos confrontos.

Keny Arroyo, atacante do Cruzeiro - (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Keny Arroyo, atacante do Cruzeiro(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

Defesa vira ponto de atenção

O comportamento defensivo merece atenção especial na sequência.

O Cruzeiro passou por mudanças no setor, com Gabriel Rojas recém-chegado, enquanto Lucas Villalba precisou ser improvisado na lateral em determinados momentos. Além disso, Fabrício Bruno atravessa uma fase complicada e convive com dores lombares, contexto que interfere na formação defensiva.

Não é possível atribuir a sequência de gols sofridos a um único fator, mas o cenário ajuda a entender por que o Cruzeiro tem encontrado tanta dificuldade para passar uma partida sem ser vazado.

O resultado é uma equipe que, em muitos jogos, consegue compensar a vulnerabilidade defensiva com a produção do ataque. O problema aparece quando o adversário também consegue transformar suas oportunidades em gols, algo que pesou justamente nos mata-matas.

Gabriel Rojas, lateral-esquerdo do Cruzeiro, no gramado do Mineirão - (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A. Press)
Gabriel Rojas, lateral-esquerdo do Cruzeiro, no gramado do Mineirão(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A. Press)

Para voltar à Libertadores, Cruzeiro precisa equilibrar os setores

Com as eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro se tornou o caminho para o Cruzeiro buscar novamente uma vaga continental.

A equipe está em sexto lugar, com 45 pontos, apenas três atrás do Fluminense, quarto colocado, e um abaixo do Bahia, quinto.

A margem é curta, e o cenário aumenta o peso de cada rodada. Para permanecer na disputa pelas primeiras posições, o Cruzeiro precisará manter a capacidade de produzir no ataque, característica que seus números recentes evidenciam, mas encontrar maior estabilidade defensiva.

A sequência de 11 partidas resume bem o momento: o Cruzeiro quase sempre encontra seu gol, mas também quase sempre dá ao adversário a chance de fazer o mesmo.

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